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quarta-feira, 21 de março de 2012

Avelós: a esperança para quem tem câncer, HIV e dores

O nome científico Euphorbia tirucalli pode não dizer muita coisa para pacientes de câncer. Mas, quando se fala em avelós, alguns já conhecem e se animam. Originária da África, a planta se adaptou bem ao Nordeste. Mas é preciso ter cuidado com ela: especialistas alertam que o avelós é muito tóxico, e que só o contato com o látex (conhecido como leite) pode lesionar a pele, os olhos e causar alergias. 

Mesmo com propriedades tóxicas, o potencial do avelós é grande. Quem explica é o doutor em Tecnologia Farmacêutica pela Universidade do Porto e coordenador dos estudos financiados pela empresa cearense Amazônia Fitomedicamentos, Luiz Francisco Pianowski. "Provamos a ação para câncer em vários testes iniciais. Fizemos testes com animais, testes toxicológicos para provar que era seguro dar a humano. E depois chegamos a humanos", conta.

A pesquisa com o avelós começou em 2003 e não se restringiu ao câncer. Com o tempo, e por causa dos pacientes que tomavam as conhecidas 'garrafadas' (preparações elaboradas com plantas medicinais) feitas com avelós e diziam não sentir dor, os pesquisadores foram investigar se a planta podia funcionar contra isso. "Realmente achei uma molécula, isolei no meu laboratório, começamos a trabalhar e aí a surpresa é grande", comemora o pesquisador.

E como se não bastassem essas duas importantes linhas de pesquisa, eis que uma terceira também passou a ser estudada. "Por uma questão de mecanismo de ação, deduzi que uma molécula que agia em câncer poderia agir em HIV", conta Pianowski. Ele explica que alguns testes toxicológicos já foram feitos na França. Agora, o próximo passo é iniciar os testes em macacos nos Estados Unidos.

Os bons resultados obtidos até agora pela equipe do pesquisador Luiz Francisco Pianowski podem representar a esperança para muitos pacientes. Mas é preciso prudência na hora de falar de resultados. Os estudos demandam tempo; até que possíveis medicamentos cheguem ao mercado, costumam se passar anos. Mesmo assim, as pesquisas com o avelós são animadoras, tanto que, cada uma, possui um financiamento de mais de R$ 30 milhões, segundo Pianowski.

Nesta edição, o Ciência & Saúde apresenta cada uma dessas pesquisas. Afinal, quem não tem algum familiar ou amigo que não sofra com um desses males? Também vamos adentrar ao mundo das plantas medicinais e ver como elas estão sendo utilizadas no Estado. Até porque elas estão longe de servir apenas para aquele tradicional chazinho. Que também é muito bom, não negamos.

Entenda a Notícia
A pesquisa com o avelós começou em 2003. Está sendo estudada a ação da planta contra o câncer, a dor e o HIV. Testes estão sendo feitos por pesquisadores. O financiamento das pesquisas é de mais de R$ 30 milhões.

Fonte: O Povo
Enviado por: Diego Calixto

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Células de defesa geneticamente modificadas eliminam leucemia

HIV foi usado para transportar material genético para os linfócitos T. Tratamento inédito funcionou melhor do que os cientistas esperavam.


A leucemia aguda é caracterizada pela
proliferação
neoplásica de qualquer célula
do
tecido hematopoiético
O HIV pode se tornar o mais novo aliado da medicina na luta contra o câncer. Uma versão inerte do vírus da Aids foi usada com sucesso por cientistas norte-americanos para modificar geneticamente células de defesa do organismo e tratar pacientes com leucemia. O procedimento foi descrito nesta semana pelas revistas médicas New England Journal of Medicine e Science Translational Medicine.

O tratamento inédito consiste em retirar os linfócitos T – importantes agentes de defesa do corpo – e transferir novos genes para elas. A mudança as torna capazes de destruir as células cancerosas que causam a leucemia e, assim, fazem com que o tratamento tenha sucesso.

A transferência de genes para a célula é feita normalmente por um vírus, e é nessa fase que o HIV é usado; foi com ele que os pesquisadores da Universidade da Pensilvânia conseguiram modificar geneticamente as células de defesa.

"Dentro de três semanas, os tumores tinham sido destruídos de um modo muito mais violento do que poderíamos esperar", reconheceu Carl June, que conduziu a pesquisa. "Funcionou muito melhor que imaginávamos".

"Além de terem uma grande capacidade de se reproduzirem, as células T infundidas são 'serial killers'. Em média cada uma levou à morte de milhares de células do tumor e, ao todo, destruíram pelo menos cerca de 1 kg em cada paciente", completou o pesquisador.

A nova técnica foi aplicada em três pacientes com leucemia linfoide crônica que já não tinham muitas opções de tratamento. Sem ela, eles seriam submetidos ao transplante de medula óssea, no qual o risco de morte é de pelo menos 20% e a chance de cura não supera os 50%.

Agora, a equipe planeja usar o mesmo procedimento em tumores parecidos, como o linfoma não Hodgkin e a leucemia linfoide aguda. Eles também querem experimentar o tratamento em crianças que não reagiram bem ao tratamento convencional. No futuro, a ideia é adaptar a técnica para combater cânceres no ovário e no pâncreas.


Fonte: G1
Enviado por: João Geraldo Netto