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quinta-feira, 24 de maio de 2012

Musculação diminui a lipodistrofia em pacientes portadores de HIV

Uma doença comum entre os portadores do vírus HIV é a lipodistrofia, que é caracterizada pela distribuição irregular de gordura no corpo, que causa o acúmulo ou a perda da mesma em algumas áreas. Para combater essa doença, 7 pacientes diagnosticados foram submetidos à exercícios físicos de força, como parte de uma pesquisa defendida na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP. Ao fim das sessões, tanto a lipodistrofia quanto o colesterol alto e os triglicérides apresentaram melhora.

O autor da pesquisa, o educador físico Pedro Pinheiro Paes Neto, conta que, atualmente, com o uso dos antirretrovirais, os pacientes vivem mais e melhor com o vírus da Aids, mas o uso prolongado da medicação apresenta efeitos colaterais, como a lipodistrofia. Além disso, é comum a taxa de colesterol alto e triglicérides. Pelo fato da lipodistrofia se tratar de uma má distribuição de gordura no corpo, o educador pensou no exercício como maneira de combate à doença, a fim de verificar a relação entre a atividade física e as variáveis negativas alteradas pelo antirretroviral.

Os voluntários da pesquisa Educação para a saúde e a atividade física na promoção da qualidade de vida de pessoas que vivem com HIV/aids realizaram 36 sessões de treinamento, distribuídas ao longo de 12 semanas. Cada sessão era composta pelo aquecimento, treinamento de força e relaxamento. No fim do processo, todas as variáveis negativas apresentaram diminuição. "E além disso, eles ainda adotaram uma prática regular de atividade física que influenciou positivamente na qualidade de vida desse grupo de pessoas" , diz Neto. Foi observado que a lipodistrofia e o triglicérides foram os problemas com melhora mais significativa.

O que o autor do estudo destaca, no entanto, é a melhora de autoestima relatada por eles. Segundo Neto, o maior ganho foi o de melhora do convívio social. "A prática fora das nossas sessões de treino promoveu a reinserção na sociedade por meio da atividade física, o que foi um grande ganho qualitativo da pesquisa. Embora os efeitos quantitativos tenham sido muito positivos, a maior queixa deles continua sendo o preconceito, o que é diminuído com essa inserção social" . Para o educador, é importante que se estimule a atividade física neste grupo, pois ela se mostra uma terapia alternativa. Isto é, dá resultados e não envolve medicamentos.

Musculação
"Quando se pensa em perder gordura, a primeira associação é normalmente com exercícios aeróbios, inclusive na literatura, mas nós fomos por outro caminho: o do treinamento de força", diz o autor da pesquisa. Segundo ele, esse foi um dos diferenciais de seu estudo, que trabalhou com cargas altas de força: os pacientes chegaram a levantar mais que 80% de sua capacidade máxima individual para cada exercício, durante a fase específica do treinamento.

Neto explica que os exercícios aeróbios demandam muito tempo de prática para a perda de gordura e o fator ergogênico (perda calórica) ocorre principalmente durante a atividade. Enquanto isso, a atividade de força faz com que o ritmo do metabolismo aumente, e a perda de gordura se dá ao longo do dia. E além da perda de gordura, há ainda o ganho de massa muscular.

Perfil
Os pacientes selecionados para a pesquisa, que foi orientada por Sonia Maria Villela Bueno eram de ambos os sexos, tinham entre 37 e 59 anos e utilizavam o serviço público de saúde. Todos eles tomavam antirretroviral e apresentavam lipodistrofia. A maioria deles ganhava entre um e quatro salários mínimos e só um possuía ensino superior.

A pesquisa, realizada no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP), foi uma parceria entre a Escola de Enfermagem (EERP), a Faculdade de Medicina (FMRP), e a Escola de Educação Física e Desporto da cidade de Ribeirão Preto. O projeto continua em andamento, atendendo outros 20 pacientes com as mesmas atividades.

Para o autor da pesquisa, é essencial entender que a prática de atividade física é importante para combater os efeitos colaterais do uso prolongado de antirretrovirais, aumentando a qualidade de vida. "O exercício físico com pesos melhora muito autoestima e a percepção corporal porque a pessoa vê o resultado na sua própria forma corporal, condição muito afetada pelas pessoas que vivem com HIV/aids", conclui.


Fonte: iSaúde
Enviado por: João Geraldo Netto

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Terapia genética contra a aids age no corpo por 11 anos


"Só o tempo pode dizer." A clássica expressão serve para, com testes clínicos e laboratoriais, comprovar a eficácia de tratamentos contra as mais diversas doenças. É esse o caso de pesquisas com a terapia de aplicação de linfócitos T - células de defesa do corpo humano - modificados geneticamente em pessoas portadoras do vírus HIV, causador da Aids. Entre 1998 e 2002, 43 soropositivos receberam aplicações dessas estruturas alteradas com o retrovírus da doença, de modo que os linfócitos pudessem combater as células infectadas. Naquela época, ainda não se sabia quais seriam as reações do organismo a tal medida. Por isso, pesquisadores norte-americanos decidiram acompanhar esses voluntários a fim de saber como estaria a saúde deles ao longo do tempo. Os resultados foram animadores: todos estão saudáveis, sem apresentar efeitos adversos ao tratamento e, melhor, as estruturas do sistema imunológico deles continuam lutando contra o HIV.

Quem é soropositivo tem o sistema imunológico atacado pelo vírus da Aids, que destrói os linfócitos T e deixa o corpo fragilizado, correndo o risco de desenvolver os mais diversos problemas de saúde. Os linfócitos modificados geneticamente com o agente invasor, portanto, serviriam exatamente para enfrentar essa deficiência. "Comprovamos que as células imunes alteradas aumentam o poder de resposta ao retrovírus, como se fossem esteroides que melhoram a performance do corpo", exemplifica Bruce Levine, professor do Departamento de Patologia e do Laboratório de Medicina da Universidade da Pensilvânia e um dos autores da pesquisa apresentada hoje na revista científica Science Translational Medicine. As novas estruturas no corpo estimulam o sistema imunológico a atacar as células com HIV. Desse modo, torna-se mais difícil para o vírus atingir novas unidades do organismo, o que retarda a progressão do problema de saúde.

O acompanhamento também destacou que a terapia gênica se mostrou segura, já que havia o temor de que esses pacientes sofressem com leucemia ao longo do tempo. "Ocorreram estudos nos quais células-tronco do sangue foram mutadas geneticamente usando o vírus como um 'cavalo de Troia' para levar um gene para a célula. Infelizmente, essa modificação em crianças com imunodeficiência fez com que algumas delas desenvolvessem leucemia", recorda Levine. Não foi o caso dos adultos com Aids que passaram pelas aplicações de linfócitos T. Ao contrário, a saúde deles estava muito boa e as estruturas injetadas continuavam agindo de modo eficiente em 98% dos voluntários. Ainda assim, o grupo não pode abandonar o uso diário de remédios antirretrovirais.

Segundo o pesquisador, a medicação contra o HIV é um "padrão de cuidado" que deve ser mantido até que os tratamentos gênicos se mostrem eficazes para agirem sozinhos. "Como se sabe, ao serem consumidas por toda a vida, essas drogas caras têm efeitos colaterais que podem ser significativos. Por sua vez, se os pacientes não as tomam, o vírus pode se desenvolver ainda mais forte e se espalhar pelo corpo", adverte.

Psicólogo e professor do Departamento de Serviço Social da Universidade de Brasília (UnB), Mário Ângelo Silva, especialista em aids, acrescenta que os antirretrovirais também acabam sendo usados, em determinados casos, por pessoas que não têm a doença, mas são parceiros sexuais de soropositivos. "Esses remédios protegem quem não está infectado e usa Preservativo nas relações, mas têm efeitos colaterais - como náuseas, vômito, diarreia e irritação na pele - que podem abrir portas para outros problemas de saúde", alerta. Ele ressalta que esses medicamentos são muito fortes e alteram o metabolismo, motivo pelo qual os cientistas buscam cada vez mais terapias que sejam alternativas ao consumo desses produtos.

A terapia gênica e as medicações antirretrovirais, no entanto, não são as únicas medidas para fazer com que os contaminados pelo HIV tenham mais qualidade de vida. "Os tratamentos servem para manter a carga viral e dos linfócitos CD4 em níveis normais", explica o cientista Enrique Argañaraz, do Laboratório de Virologia Molecular da UnB. "Outro fator importante é evitar relacionamentos sexuais com vários parceiros, já que esse comportamento ativa o sistema imune e favorece a replicação do vírus", completa. Além disso, é necessário que o paciente pratique atividades físicas, se alimente de modo saudável e tenha uma atitude positiva ante a vida, determinam médicos e psicólogos.

Potencial
Levine afirma que ter mais uma alternativa eficaz para combater a aids traz esperanças para os pacientes. "Os linfócitos T modificados são uma iniciativa mais segura do que células-tronco sanguíneas alteradas geneticamente", garante. Argañaraz concorda que esse estudo mostra o avanço das pesquisas genéticas e que o fato de as células T terem se mantido por um longo período de tempo no organismo nos pacientes é um fator relevante. "Mas acredito que, entre as novas abordagens terapêuticas, o uso de vacinas baseadas em combinações distintas de vírus têm se mostrado mais promissor", pondera. Silva, por sua vez, crê que a análise feita na Universidade da Pensilvânia pode, sim, ser uma esperança para soropositivos. "Compreender os genes e as células permitem conhecer melhor o HIV e a função do sistema imunológico", pontua, comemorando a possibilidade de essa medida reduzir o uso de remédios e seus consequentes efeitos negativos.

"Esses linfócitos podem ajudar pacientes com câncer e outras doenças a evitar complicações e riscos de mortalidade associados aos tratamentos mais convencionais, já que, com a terapia gênica, não é necessário tomar medicações que enfraqueçam o sistema imunológico a fim de que as células novas se proliferem no corpo após a infusão - algo pelo qual pessoas com câncer precisam passar quando recebem transplante de células-tronco", frisa o cientista norte-americano. Com base nessas questões, a equipe de pesquisadores pretende ir mais fundo no tratamento com linfócitos T contra o HIV e expandir sua aplicação para tumores malignos.

Importância da prevenção
O uso de antirretrovirais e de terapias diversas não deve, segundo Mário Ângelo Silva, ser o único foco no combate à aids. É necessário continuar reforçando a educação para a saúde e as medidas de prevenção, como usar Preservativo nas relações sexuais, não compartilhar seringas e outros objetos que furam ou cortam a pele e fazer o acompanhamento clínico durante a gravidez. Nesse último caso, o cuidado serve para, se a mãe estiver contaminada, não transmitir o vírus para o bebê.


Fonte: Correio Braziliense
Enviado por: João Geraldo Netto

Fala Aí: O tema é Aids e saúde prisional


O quadro Fala Aí está de volta ao canal de vídeos da RNAJVHA no Youtube. De cara nova, o Fala Aí volta falando de temas importantes para o movimento de aids. Na reestreia, Marden Marques Soares Filho, da Secretaria de Atenção à Saúde Prisional do Ministério da Saúde fala da parceria que pretende desenvolver com a RNAJVHA. Vale a pena!




Fonte: Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids
Enviado por: João Geraldo Netto

Terapias complementares no tratamento do HIV/Aids


Acupuntura é uma das técnicas alternativas que podem
melhorar a qualidade de vida dos soropositivos

Além do tratamento existente com os remédios antirretrovirais, exercícios físicos e alimentação equilibrada, há algumas práticas que o soropositivo pode adotar que melhoram a saúde e a autoestima. As chamadas terapias complementares estão disponíveis nas unidades públicas de saúde de todo o país e devem ser indicadas por profissionais e avisadas ao médico. 

Apesar de fazerem bem à saúde, não podem substituir os medicamentos, pois não combatem a aids. Essas terapias são muito utilizadas para reduzir o estresse e os efeitos colaterais dos coquetéis, melhorar o sistema imunológico, aliviar a dor e auxiliar no tratamento de infecções oportunistas. As mais comuns são: acupuntura, homeopatia, massagens (shiatsu e reflexologia), práticas físicas (yoga e Tai Chi Chuan), além do consumo de algumas ervas medicinais.

Acupuntura
A técnica milenar da medicina chinesa consiste em estimular, com finas agulhas, determinados pontos do corpo por onde a energia circula. Vem sendo muito utilizada entre soropositivos para minimizar efeitos colaterais como enjoos, náuseas, vômitos e dores em geral. No Brasil, é reconhecida como especialidade médica há quase uma década.

Homeopatia
Não trata nenhuma doença específica, mas combate as causas dos sintomas. Esses remédios estimulam as forças internas do organismo e os processos de manutenção e recuperação da saúde. Criada em 1796, pelo médico alemão Samuel Hahnemann, foi reconhecida como especialidade médica no Brasil, em 1980, pelo Conselho Federal de Medicina.

Shiatsu
Utiliza os mesmos pontos e princípios da acupuntura e a pressão é feita com a polpa dos dedos. Os benefícios são: melhora do sistema circulatório, maior flexibilidade aos músculos, recuperação do equilíbrio do sistema ósseo, melhor funcionamento do sistema digestivo e maior controle do sistema endócrino. Também ajuda a tratar o estresse, dores de cabeça e musculares e artrite. Deve ser evitada em pessoas com inflamações, febre, anemias ou que estejam debilitadas fisicamente. Quem sofre de osteoporose pode fazer, mas com toques leves, já que os ossos já estão frágeis. Essa massagem é tradicionalmente do Japão, criada em 1925., mas tem suas raízes na milenar medicina chinesa.

Reflexologia
É uma prática da Medicina Natural que consiste na aplicação de pressões rítmicas em pontos localizados nos pés e nas mãos, que correspondem às diferentes zonas do corpo. Ajuda a recuperar o bem-estar; a aliviar o estresse, a angústia, a depressão, a ansiedade, a dor de cabeça, a síndrome pré-menstrual, a asma, os problemas digestivos, entre outros. Deve ser evitada em caso de gravidez, pois a pressão em certos pontos reflexos dos pés pode levar a contrações uterinas.

Ervas medicinais
São muito utilizadas em todas as regiões do país e estão sendo implantadas no Sistema Único de Saúde (SUS). São usadas em substituição a alguns medicamentos industrializados. Mas devem ser consumidas com cuidado, pois algumas são proibidas para quem toma remédios antiaids. 

Apesar de beneficiarem pessoas saudáveis, a Erva de São João (Hipérico), o Kava Kava e o óleo de alho em cápsulas podem comprometer o tratamento e pode causar a resistência do vírus ao tratamento. O importante é sempre conversar com o médico sobre as alternativas de terapias complementares e nunca se automedicar. Saiba mais sobre a reação dos remédios com algumas ervas.


Enviado por: João Geraldo Netto

quarta-feira, 21 de março de 2012

Avelós: a esperança para quem tem câncer, HIV e dores

O nome científico Euphorbia tirucalli pode não dizer muita coisa para pacientes de câncer. Mas, quando se fala em avelós, alguns já conhecem e se animam. Originária da África, a planta se adaptou bem ao Nordeste. Mas é preciso ter cuidado com ela: especialistas alertam que o avelós é muito tóxico, e que só o contato com o látex (conhecido como leite) pode lesionar a pele, os olhos e causar alergias. 

Mesmo com propriedades tóxicas, o potencial do avelós é grande. Quem explica é o doutor em Tecnologia Farmacêutica pela Universidade do Porto e coordenador dos estudos financiados pela empresa cearense Amazônia Fitomedicamentos, Luiz Francisco Pianowski. "Provamos a ação para câncer em vários testes iniciais. Fizemos testes com animais, testes toxicológicos para provar que era seguro dar a humano. E depois chegamos a humanos", conta.

A pesquisa com o avelós começou em 2003 e não se restringiu ao câncer. Com o tempo, e por causa dos pacientes que tomavam as conhecidas 'garrafadas' (preparações elaboradas com plantas medicinais) feitas com avelós e diziam não sentir dor, os pesquisadores foram investigar se a planta podia funcionar contra isso. "Realmente achei uma molécula, isolei no meu laboratório, começamos a trabalhar e aí a surpresa é grande", comemora o pesquisador.

E como se não bastassem essas duas importantes linhas de pesquisa, eis que uma terceira também passou a ser estudada. "Por uma questão de mecanismo de ação, deduzi que uma molécula que agia em câncer poderia agir em HIV", conta Pianowski. Ele explica que alguns testes toxicológicos já foram feitos na França. Agora, o próximo passo é iniciar os testes em macacos nos Estados Unidos.

Os bons resultados obtidos até agora pela equipe do pesquisador Luiz Francisco Pianowski podem representar a esperança para muitos pacientes. Mas é preciso prudência na hora de falar de resultados. Os estudos demandam tempo; até que possíveis medicamentos cheguem ao mercado, costumam se passar anos. Mesmo assim, as pesquisas com o avelós são animadoras, tanto que, cada uma, possui um financiamento de mais de R$ 30 milhões, segundo Pianowski.

Nesta edição, o Ciência & Saúde apresenta cada uma dessas pesquisas. Afinal, quem não tem algum familiar ou amigo que não sofra com um desses males? Também vamos adentrar ao mundo das plantas medicinais e ver como elas estão sendo utilizadas no Estado. Até porque elas estão longe de servir apenas para aquele tradicional chazinho. Que também é muito bom, não negamos.

Entenda a Notícia
A pesquisa com o avelós começou em 2003. Está sendo estudada a ação da planta contra o câncer, a dor e o HIV. Testes estão sendo feitos por pesquisadores. O financiamento das pesquisas é de mais de R$ 30 milhões.

Fonte: O Povo
Enviado por: Diego Calixto

terça-feira, 20 de março de 2012

HIV: remédio infantil será testado em humanos


As crianças brasileiras com até 13 anos que vivem com HIV/Aids terão em breve um antirretroviral infantil, de administração mais simples. O medicamento está sendo desenvolvido há três anos pela Farmanguinhos, unidade técnico-científica da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

A previsão é que o medicamento já esteja pronto para fabricação em 2015, mas os testes em humanos devem começar no segundo semestre deste ano, em seis centros de pesquisas nos estados de Minas Gerais, do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Em vez de três, a criança poderá tomar somente um comprimido, que terá uma formulação adocicada, de sabor agradável, para disfarçar o gosto amargo original do remédio. Além disso, o comprimido será dispersível, para ser dissolvido na água.

Combinação
Segundo a farmacêutica do Departamento de Pesquisas Clínicas da unidade, Marli Melo da Silva, que participa da coordenação do estudo clínico, a combinação também reduz os custos operacionais no processo produtivo, e fica mais fácil dispensar, transportar, armazenar e administrar o medicamento.

"Outra vantagem é que essa formulação dispersível dá mais garantia sobre a dose de princípio ativo, ao contrário do que ocorre quando se divide comprimidos para as crianças", disse a pesquisadora, que explicou também que, hoje, as drogas prescritas para a população infantil são as mesmas ministradas em adultos, sendo a diferença a diminuição da dosagem, que varia de acordo com o peso, sem considerar a complexidade do metabolismo dos pacientes pediátricos.

O medicamento combinará em um único comprimido três princípios ativos – a lamivudina 30 miligramas + zidovudina 60 miligramas + nevirapina 50 miligramas. A medicação será dissolvida em uma pequena quantidade de água para ser ingerida.

Distribuição
Atualmente, o SUS (Sistema Único de Saúde do Brasil) distribui 16 tipos de antirretrovirais para os pacientes infantis, que variam em apresentação farmacêutica e concentração de acordo com a faixa etária. A maioria dessas drogas não foi estudada em populações pediátricas e somente tem registro na Anvisa para adultos ou crianças acima de determinadas idades.

Dados preliminares, divulgados pelo Ministério da Saúde em 2010, revelam que de 1980 a 2010 o Brasil registrou aproximadamente 14 mil casos de HIV em indivíduos menores de 13 anos.

Atualmente, estima-se que cerca de 4 mil crianças nessa faixa etária estejam em terapia antirretroviral. Ainda segundo o ministério, esses números têm caído gradualmente ao longo dos últimos cinco anos. Em todo o mundo, há aproximadamente 2,5 milhões de pessoas menores de 15 anos vivendo com o vírus HIV.


Fonte: Band.com
Por: Agência Brasil
Enviado por: João Geraldo Netto

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Pesquisa identifica de que forma proteína protege contra vírus da Aids


Uma pesquisa recente desenvolvida no Centro Médico NYU Langone, nos Estados Unidos, identificou um mecanismo pelo qual é possível o corpo se defender do vírus HIV. Os autores do estudo descobriram que uma proteína nomeada SAMHD1, presente em células do sistema imunológico, impede que o vírus da Aids roube o material genético das células, impedindo assim, sua reprodução.

Os resultados foram publicados nesta segunda feira, dia 13, na revista Nature Immunology e podem ser fundamentais para as novas abordagens de tratamentos que buscam atrasar a progressão do vírus HIV.

Outras pesquisas recentes já haviam identificado que as células dendríticas, integrantes do sistema imunológico, são resistentes ao vírus HIV. Com isso, diversos cientistas vinham buscando compreender melhor o funcionamento e ação desta proteína. Este novo estudo foi a primeira vez que este processo foi explicado.

Infecção
Quando o vírus HIV se instala no organismo, ele assimila o material genético das células, usando-o para se reproduzir. Os autores deste novo estudo identificaram que a proteína SAMHD1 destrói o DNA ‘roubado’ pelo HIV, deixando o vírus sem constituição genética para reprodução. “A SAMHD1 priva o vírus de se multiplicar. O HIV entra nas células, mas nada acontece, pois não tem como fabricar seu DNA”, explicou o coordenador do estudo, Nathaniel Landau.

De acordo com os pesquisadores envolvidos, o vírus HIV é altamente inteligente ao atacar o corpo humano e o seu sistema imunológico. Para a ciência, entender como a proteína é capaz de proteger as células contra o vírus HIV é um grande avanço no combate à Aids.

Landau acredita que aumentando a quantidade da proteína em células sem SAMHD1 pode ser a melhor forma de combate. “Esse é um momento muito excitante nas pesquisas sobre HIV. Muitos dos segredos do vírus estão sendo revelados e estamos aprendendo muito sobre como o nosso sistema imunológico funciona”, explica.


Fonte: Notícias BR
Enviado por: João Geraldo Netto

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Anvisa quer facilitar o desenvolvimento de antirretrovirais genéricos. Especialistas elogiam iniciativa


Nos casos de medicamentos de uso apenas hospitalar ou distribuídos em programas específicos, às vezes os laboratórios que desenvolvem os estudos têm dificuldade em adquirir o produto de referência, atrasando os testes. Com a proposta, a Anvisa quer obrigar os fabricantes desses remédios a venderem o produto.  

O diretor-presidente da Agência, Dirceu Barbano, afirmou que essa medida pode acelerar a entrada de concorrentes no mercado, especialmente para os tratamentos de alto custo e com poucas alternativas terapêuticas disponíveis. "As empresas reduzirão o tempo para o registro de um novo medicamento, pois não terão dificuldades em ter acesso aos produtos de referência para teste", disse. 

Segundo a assessoria de imprensa da Anvisa, a proposta obriga o acesso a informações também de remédios patenteados. Os laboratórios privados e públicos poderão desenvolver e registrar esses produtos, mesmo que impossibilitados de comercializá-los.

Ativistas apoiam iniciativa
"Depois de anos de retrocesso e falta de transparência na política nacional de medicamentos, temos uma ação importante", avaliou Mário Scheffer, doutor pela Faculdade de Medicina da USP com uma pesquisa sobre a incorporação de antirretrovirais no País. 

"A notícia é boa porque o Brasil perdeu o pioneirismo de licenciamento compulsório e as multinacionais compraram empresas privadas brasileiras que fabricam genéricos", acrescentou Mário, referindo-se ao licenciamento compulsório adotado pelo Brasil em 2007 para a produção e distribuição nacional do efavirenz. O remédio era patenteado e, por isso, o País estava impedido de produzir e fornecê-lo.

"Se desenvolvermos e registrarmos os medicamento que estão sob patente, no dia seguinte ao fim da exclusividade poderemos utilizar nossa produção", afirmou o militante e professor da USP, Jorge Beloqui. 

Para Jorge a iniciativa da Anvisa beneficia, além da pessoas que vivem com aids, portadores de muitas outras doenças.

Serviço
A consulta pública da Agência Nacional de Vigilância Sanitária foi publicada nesta quarta-feira e ficará disponível por 60 dias no site www.anvisa.gov.br.


Por: Fábio Serrato
Enviado por: João Geraldo Netto

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Vacina nasal entra em teste e poderá ser usada no tratamento da aids



Uma nova vacina ministrada pelo nariz pode ajudar no tratamento de pacientes HIV positivos. Desenvolvida pela empresa de biotecnologia Bionor Pharma, a vacina foi criada para ser ministrada por uma injeção na pele. Mas agora uma versão modificada e injetada por gotas pelo nariz, que entra em testes em breve, é uma das promessas da empresa para a substituição das drogas orais – o que aumentaria a adesão dos pacientes.

Há poucos meses, a Bionor já havia relatado que a vacina Vacc-4x, administrada pela pele, havia obtido resultados animadores: os pacientes que receberam essa medicação eram duas vezes mais propícios a não precisarem de outro remédio por, no mínimo, dois anos.

Potencial de impacto
Até o momento, os testes clínicos com a Vacc-4x vinham sendo feitos por injeções diretamente na pele. Agora, uma versão modificada da vacina será testada em um projeto de pesquisa conduzido no Hospital Universitário de Oslo. "Vacinação por injeção requer uma boa técnica e muita prática, do contrário a vacina não atinge as células do sistema imunológico", diz Ga Kvale, um dos responsáveis pelo estudo. "Agora nós vamos testar se a eficácia é tão boa quando ela é administrada por vias nasais."

Se os testes mostrarem que a imunização por via nasal é realmente eficaz, isso poderá ter um impacto mundial no tratamento dos pacientes HIV positivos. Isso porque o procedimento é simples e tem baixo custo - fatores relevantes para a administração em larga escala e em países pobres com sistemas de saúde subdesenvolvidos.

Testes
Os testes clínicos do modelo nasal da Vacc-4x serão feitos em 24 voluntários: 18 irão receber a vacina em várias doses e seis receberão apenas o adjuvante (agente imunológico adicionado às vacinas para estimular o sistema imunológico a desencadear uma leve reação inflamatória). O primeiro objetivo é descobrir se quando administrada nasalmente a vacina tem algum efeito no sistema imunológico, e caso sim, qual a melhor dosagem.

Já o objetivo global da pesquisa é desenvolver uma vacina que fortaleça a resposta imunológica do corpo ao vírus do HIV, reduzindo a carga viral (quantidade vírus ativo no sangue de uma pessoa). "Se esses estudos obtiverem sucesso, esperamos que a vacina esteja disponível em poucos anos", diz Birger Sørensen, um dos responsáveis pelo projeto.


Fonte: Exame
De: São Paulo
Enviado por: João Geraldo Netto

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Controle da Aids deve ser permanente (Editorial)

O Brasil está entre os países que mais a sério, e com apreciável eficácia, enfrentam o flagelo da AIDS. O poder público contabiliza estimulantes - ainda que não ideais - resultados nessa guerra, por conta de uma combinação de medidas preventivas e outras de redução de danos, notadamente uma política que flexibiliza o acesso a coquetéis de medicamentos capazes de inibir o desenvolvimento da doença. Dados do Boletim Epidemiológico AIDS/DST divulgados anteontem pelo Ministério da Saúde mostram que a incidência de infectados na população em geral se manteve estável entre 1998 e 2010, com uma leve queda de 18,7 para 17,9 casos em grupos de cem mil habitantes.

Mas, esmiuçados os números do documento, a curva do perfil epidemiológico mostra uma inquietante inversão. Descontada a tendência de estabilização na Região Sudeste, que concentra pouco mais de 50% dos infectados pelo HIV no país, constata-se que o número de novos casos cresceu nas demais regiões. Mais grave é o aumento (10%) da contaminação entre jovens homossexuais de 15 a 24 anos. Dados comparativos reforçam essa preocupação. Caso, por exemplo, da constatação de que na mesma faixa etária caiu o índice de contaminação entre heterossexuais. Houve queda também entre usuários de drogas e dos registros de transmissão vertical (quando a mãe passa o vírus para o bebê). São indicadores que evidenciam a necessidade de se adotarem ações preventivas específicas para este grupo de risco.

Em relação ao aumento do número de casos fora da Região Sudeste é aceitável a versão técnica de que, entre outras razões, no Norte e no Nordeste, onde o boletim detectou os mais altos índices de novos infectados, testes passaram a ser feitos em áreas onde antes não havia acesso a exames. Isso terá levado para as estatísticas um universo de doentes não detectado em levantamentos anteriores.

Mas, na questão do crescimento da AIDS entre jovens gays, misturam-se aspectos comportamentais e falhas na política pública de prevenção. Esta geração não viveu os primeiros e apavorantes anos de disseminação, até então sem controle, de uma doença que, na época, registrava altíssimo grau de letalidade quase imediata, e sequer foi testemunha das ações de luta contra a AIDS nos anos 90, observa o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. A descoberta de medicamentos que atenuam a manifestação do mal e dão sobrevida às vítimas também contribui para um quase natural relaxamento com cuidados que, os números comprovam, continuam sendo essenciais para evitar o contágio.

Este quadro deixa patente que não se pode afrouxar com as campanhas de esclarecimento e com o aperfeiçoamento das ações de redução de danos. São providências cruciais para manter vivas as informações sobre a doença que ajudaram a manter sob controle o quadro de infecções em geral no país. E, sobretudo, para ampliar o nível de consciência dos grupos de risco sob maior exposição ao contágio, alertando-os para a realidade, ainda inescapável, de que, mesmo sob algum nível de controle de letalidade, a AIDS ainda é mortal.


Fonte: O Globo
Enviado por: João Geraldo Netto

O combate ao HIV/aids (Artigo)

O progresso médico leva a problemas que, infelizmente, não são de solução fácil.

Temos hoje pelo menos 15 medicamentos que são usados no tratamento da infecção pelo HIV/AIDS e os mais novos vêm chegando na base de dois ou três por ano.

Atacamos o vírus em todas as suas fases: incorporação dos nucleotídeos no genoma, integração no DNA do hospedeiro e montagem final. Também podemos atrapalhar a ligação do vírus com os receptores da superfície celular onde ele se gruda.

Parece muito claro que o paciente adequadamente medicado, tendo 90% de aderência ao tratamento, se mantém sem progressão da moléstia.

Quando menos intensa a carga viral, menor é a chance de haver resistência - e por isso é fundamental sustentar a supressão da multiplicação viral, ou seja, que o remédio seja tomado na dose e na frequência adequadas. Na situação mais comum, em que a infecção é por vírus selvagem sem mutações que conferem resistência, é possível manter os doentes em remissão, com cargas virais muito pequenas, por muito tempo - e talvez indefinidamente. Esses enfermos poderão ser acometidos por complicações relacionadas aos antivirais e à inflamação, que não é suprimível, embora quantidades do agente causal sejam discretas.

A principal complicação diz respeito ao risco cardiovascular aumentado e, hoje, é obrigatório que quem acompanha tais pacientes igualmente lide com esse perigo e com a lipodistrofia.

Os muitos que não levam o tratamento como deveriam complicam consideravelmente as coisas.

Neles ocorrem as resistências e as trocas de fármacos são necessárias. Nessa infecção vale o que vale para todos os expedientes terapêuticos: quanto mais novos, mais caros. O manuseio dos remédios, aliado à falta de aderência, chega a níveis de pesadelo.

Por mais que se insista como paciente no fato de ser indispensável a adesão estrita, nem sempre ele compreende a importância disso, sem falar nos que procuram métodos alternativos ou curas pela fé e, depois, aparecem nos setores de atendimento emergencial com infecções oportunísticas.

Sugerimos que a Anvisa dinamize o licenciamento de novos produtos cuja ação já está documentada cientificamente, não permitindo a venda de trapaças, que são veículos de impressões místicas, na melhor das visões que possamos ter a esse respeito.

Naturalmente, não devemos deixar esses necessitados sem assistência.

Precisamo-nos valer, então, de adicionais compostos que são de uso mais difícil, menos fáceis de ministrar - há um que é injetado pela via subcutânea.

Impõe-se estudar as variações genéticas do vírus para conhecer obstáculos - e nem todas as alterações genômicas são correlacionáveis com resistências a insumos específicos. Tudo isso é muito caro, não é realizado em qualquer lugar ou laboratório.

Há quem sugira como solução a quebra de patentes, quando existirem. O Brasil já fez isso uma vez e não dá para dizer que o resultado tenha ficado sem justificativa, mas há riscos. Nem tanto para o aqui e agora, mas para o futuro.

Por menos que gostemos das multinacionais, são elas que levamos medicamentos ao mercado e ao público. A imensa maioria das novidades vem de estudos acadêmicos, mas o desenvolvimento e a produção são feitos pela indústria farmacêutica. Achamos utópico que nossos laboratórios oficiais da área consigam, sozinhos, concretizar vários desses fármacos e que isso suceda em tempo razoável. Seguramente surgirão novos recursos de caráter terapêutico e a indústria, diante da quebra de patentes, pode simplesmente abandonar o mercado brasileiro, sem tentar licenciar seus produtos. Um truque que a Anvisa ainda não descobriu é como possibilitar, no Brasil, a utilização de remédios e testes de laboratório que os fabricantes não queiram registrar legalmente no País.

O custo também preocupa: quanto mais doentes entrarem no sistema, maiores os gastos. Se fomos felizes em ver garantido o tratamento a praticamente todos os que dele precisam, sentimo-nos com menor capacidade para limitar a extensão da epidemia.O que obtivemos provavelmente decorreu de tornar menos infectantes os tratados. Isso fica bem claro em estudos epidemiológicos, pois os com baixa carga viral são pouco contaminantes. Uma parte da população aprendeu a se proteger. Mas os que mais precisam se defender ou não aprenderam ou não têm condições financeiras - meninos e meninas de ruas, prostitutas de baixo nível, homossexuais masculinos que acabaram de sair do armário e de baixa categoria socioeconômica.

Como vemos soluções para este contexto? Precisamos investir mais em educação, como repetimos entra ano, sai ano - estamos ficando monótonos. Isso envolve instrução, que deve ser ampla, não discriminativa e começar na escola, antes da idade da primeira relação sexual, que pode ser a oportunidade inicial de pegar a infecção pelo HIV. E gente azarada adquire o mal nesse momento.

Precisamos investir muito em suficiente orientação ao paciente, que deve ser motivado a fim de, disciplinadamente, respeitar o tratamento e voltar para controles.

Para viciados em drogas injetáveis programas de troca de seringas e de diminuição de danos dão resultado - com todas as dificuldades técnicas e até jurídicas de levá-los a efeito.

Circunstâncias podem dificultar o combate a doenças infecciosas.

A enfermidade causada pelo HIV é exemplo disso. Mudar comportamentos, fundamentalmente influentes na transmissão e disseminação de tal virose, a figuras e extremamente difícil, representando expressivo obstáculo.

Impõe-se almejar o sucedido com a SÍFILIS, tratável por vários remédios e com facilidade.

A obtenção de medicamentos definitivamente efetivos para abater o HIV constitui destacado desejo. A vacina anti-HIV, conseguida com base em irretocável documentação científica, é sonhado meio profilático, que de forma marcante auxiliará a saúde pública, mediante simplificação exuberante da luta contra tão prejudicial transtorno.


Fonte: O Estado de S. Paulo
Por: Vicente Amato Neto e Jacyr Pasternak
Obs.: Médicos infectologistas, são, respectivamente, professor emérito da Faculdade de Medicina da USP e professor universitário.
Enviado por: João Geraldo Netto

Programa da ONU vê Brasil como referência no tratamento da aids

Desde que descobriu ser portador do vírus HIV, há 22 anos, o ex-professor de educação física Aguinaldo José Gomes toma, todos os dias, o coquetel de medicamentos que mantém seu organismo resistente à doença. Na época do diagnóstico, ele morava havia quatro anos em Lisboa, onde estudava literatura. Depois de ter descoberto ser soropositivo, o então bolsista ainda ficou um ano na capital portuguesa recebendo a medicação gratuitamente. "Mas depois desse tempo fiquei psicologicamente abalado e senti saudade. Eu queria colo, a minha terra, a minha família", lembra.

Em 1990, Aguinaldo voltou ao Brasil. Naquela época, a aids era uma doença sobre a qual ainda havia poucas informações. O medo era inevitável. "Eu estava perto dos 30 anos de idade e tive que lidar com a morte numa fase produtiva da vida", conta. A angústia aumentou quando ele descobriu que, por causa dos medicamentos que vinha tomando, seu organismo não se enquadrava no protocolo à época vigente no Brasil para acesso gratuito à medicação. "Aí comecei outra luta: convencer os médicos a me receitarem os medicamentos", contou Aguinaldo, hoje com 51 anos de idade.

De 1990 para cá, muita coisa mudou no Sistema Único de Saúde (SUS) em relação ao atendimento a portadores do HIV. Hoje, as autoridades do País destacam que o programa brasileiro é apontado como referência pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/Aids (Unaids). Segundo divulgou o Ministério da Saúde na segunda-feira, a prevalência da doença estimativa de pessoas infectadas permanece estável em 0,6% da população brasileira.

O País investe R$ 1,2 bilhão anuais no combate à doença, em ações que vão desde entrega de medicamentos e assistência aos soropositivos até a realização de testes, campanhas publicitárias e distribuição de preservativos. Em 2012, governo quer ampliar diagnóstico.

Aplicação eficiente de recursos
Um dos pontos altos do programa é o acesso universal aos medicamentos de combate ao HIV. O país foi um dos pioneiros a distribuir, gratuitamente, toda a medicação necessária para o combate ao vírus, investimento que, este ano, chegará a R$ 846,7 milhões. De acordo com diretor do Departamento de DST/Aids do Ministério da Saúde, Dirceu Greco, 97% dos brasileiros diagnosticados com Aids, ou seja, 215 mil pessoas recebem os 20 medicamentos atualmente usados no tratamento.

Greco conta que, desses, 10 são produzidos nacionalmente, sendo um deles por meio de quebra de patente, em 2007. "Eu teria que desembolsar de R$ 6 mil a R$ 8 mil por mês com medicamentos se tivesse que pagar por eles", calcula Aguinaldo Gomes. Cada exame de genotipagem que ele precisa fazer três vezes por ano para verificar se seu organismo desenvolveu resistência a algum dos medicamentos custaria, em média, R$ 2,5 mil.

O diretor da Unaids no Brasil, Pedro Chequer, ressalta que um relatório divulgado pelo órgão aponta que o governo brasileiro foi muito mais eficiente do que o da Rússia, por exemplo, na aplicação dos recursos no combate ao HIV. Segundo o relatório, os US$ 600 milhões aplicados pelo Brasil durante todo o ano de 2008 foram mais bem direcionados que os US$ 800 milhões investidos pelos russos no combate à Aids no mesmo período.

"A Unaids conclui efetivamente que o Brasil tem um modelo estratégico bastante adequado do ponto de vista da realidade do País, pois visa a otimizar a utilização dos recursos, concentrando seus esforços nas populações mais vulneráveis", afirmou o diretor.

Testes durante a Copa
Segundo Chequer, no entanto, ainda há lacunas no programa brasileiro que precisam ser preenchidas. Entre elas, as diferenças regionais no acesso a informações. "Muitos municípios das regiões norte e nordeste do País ainda não têm acesso ao diagnóstico mais rápido, ao tratamento da doença e a ações mais efetivas de prevenção", destaca o diretor.

Considerando a estimada parcela da população que ainda desconhece estar contaminada pelo HIV por não ter realizado o teste, entre 200 e 230 mil pessoas, a cobertura do tratamento gratuito cairia dos 97% para algo entre 60% e 79%.

"O grande desafio hoje do Brasil é ampliar o acesso ao diagnóstico para que se possa, até 2015, chegar a mais de 80% de cobertura (de todos os infectados)", avalia Chequer, ressaltando que esse índice já é registrado hoje por países como Botsuana, Chile e Cuba.

O ministério garante que um dos principais objetivos da política nacional de combate ao HIV em 2012 será elevar o índice de diagnósticos precoces. "Este hoje é o foco no mundo inteiro", afirma Greco. Segundo ele, o governo deve ampliar a quantidade de locais para realização de testes rápidos, cujo resultado sai em 30 minutos.

O diretor explica que atualmente os exames são oferecidos em locais públicos, especialmente em datas festivas como o Carnaval, paradas de orgulho gay e no Dia Mundial de Combate à Aids, em 1º de dezembro. O ministério também planeja oferecer testes gratuitos aos torcedores durante a Copa do Mundo de 2014. "Neste ano, foram realizados mais de 3 milhões de exames rápidos, e a meta é alcançar mais de 7,5 milhões de testes no ano que vem", afirma.

O presidente da ONG Pela Vida, Mário Scheffer, calcula que cerca de 45% das pessoas diagnosticadas estão chegando tardiamente ao serviço de saúde e não se beneficiam do acesso à medicação. "É preciso ampliar a testagem e o número de beneficiados pelo tratamento. Apesar dos esforços, 12 mil pessoas ainda morrem todos os anos de aids no Brasil."

Parceria com a África
O programa também estabeleceu diversas parcerias com países das Américas do Sul e Central, assim como da África, para troca de informações sobre tratamento e prevenção do HIV. De acordo com o ministério, o Brasil doa medicamentos para 26 países, entre eles os vizinhos Argentina, Bolívia, Chile, e alguns africanos que registram altos índices de soropositivos, como Botsuana, Quênia e Zâmbia.

Por meio da parceria com Moçambique, o governo autorizou a transferência de tecnologia para a construção de uma fábrica de medicamentos antirretrovirais em Maputo. "É uma troca. Também aprenderemos com eles a lidar com situações mais complexas do que as nossas", afirma Greco. Ele conta que a pré-produção de medicamento na capital moçambicana deve começar já no próximo ano.

Falhas no abastecimento
Apesar de considerado modelo em âmbito internacional, internamente o programa brasileiro de combate ao vírus HIV recebe críticas de ativistas de organizações que prestam apoio a portadores da doença. Segundo eles, uma grande dificuldade encontrada pelos pacientes são as falhas no abastecimento de medicamentos.

"O governo ainda não tem uma estrutura que garanta continuidade na compra dos medicamentos, há sempre problemas no processo burocrático. Isso prejudica o tratamento", critica Rodrigo Pinheiro, presidente do Fórum de ONGs/Aids de São Paulo. Ele conta que, no ano passado, houve falta de uma medicação nos estoques do SUS durante quatro meses. Dirceu Greco admite as falhas e garante que o governo estuda maneiras de vencer a burocracia e evitar o desabastecimento temporário.

Mário Scheffer defende ainda que o Brasil retome a política de quebra de patentes e amplie a produção nacional de genéricos. Ele ressalta que uma das estratégias para conseguir oferecer medicamento a tantos soropositivos foi a produção nacional de antirretrovirais. "A política tem sido pouco transparente, o Brasil está pagando muito caro pelos medicamentos que produz", reclama.

Apesar das críticas, no entanto, os ativistas que apoiam portadores de HIV e lutam por seus direitos elogiam o pioneirismo ao estabelecer por meio de lei, há 15 anos, que todos os infectados teriam acesso gratuito a tratamento. "A garantia em 1996 do acesso ao tratamento de forma gratuita foi a maior conquista desses 30 anos da epidemia no Brasil", diz Pinheiro.

Para Aguinaldo Gomes, o acesso gratuito à medicação e a adesão ao tratamento foram essenciais para ele superar a doença e continuar a fazer planos. "Esperei a morte chegar uma semana, um mês, três meses. Vi que ela não chegava. Então comecei a viver. E há 22 anos a morte não chega."


Fonte: Terra
Enviado por: João Geraldo Netto

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Até 79% de portadores de HIV têm tratamento no Brasil

Relatório preparado pelo Programa das Nações Unidas para Aids (Unaids) mostra que o Brasil está fora da lista dos países com maior cobertura de tratamento para pessoas com HIV. O documento indica que 11 países, entre eles o Chile, Cuba e Namíbia, têm pelo menos 80% da população estimada com vírus recebendo antirretrovirais. O Brasil está na classificação seguinte. Ao lado de México, Argentina e Paraguai, o País figura entre aqueles que oferecem tratamento para uma faixa entre 60% e 79% da população estimada de portadores do HIV.

Diretor do Unaids no Brasil, Pedro Chequer considera que índice não representa um "problema", mas um "desafio" para o País que, no início da última década, foi apontado como responsável pelo melhor programa de aids no mundo. "É preciso melhorar o diagnóstico precoce da doença", disse Chequer. Ele ressalva, no entanto, que números mudam quando se analisa a população que já sabe ser portadora do vírus.

Nessas condições, o Brasil apresenta uma das maiores coberturas mundiais: mais de 95% da população com indicação de uso de antirretrovirais está em tratamento.

Estima-se que no Brasil entre 250 mil a 300 mil portadores do vírus desconheçam a sua infecção e, por isso, não iniciam a terapia no tempo adequado. Um estudo feito pelo pesquisador Alexandre Grangeiro, da Universidade de São Paulo (USP), mostra que 40% da mortalidade de aids no País está associada justamente ao diagnóstico tardio.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que estratégias para ampliar o diagnóstico precoce da doença estão em curso. Ele citou a oferta de testes rápidos de HIV na rede básica de saúde e ações entre grupos jovens, como a realizada durante o Rock in Rio, para incentivar a testagem.

Ele apontou ainda uma nova ênfase para campanhas regionais, com linguagem e temáticas próprias. "Não podemos prevenir a epidemia da mesma forma que fazíamos 20 anos atrás", disse Padilha. O enfoque, disse, precisa ser mudado justamente para atingir a população mais jovem. "O investimento em publicidade aumentou este ano em relação ao ano passado e vai aumentar em 2012. Mas em estratégias distintas."

Para Chequer, as mudanças estão no caminho certo. "Temos características diferentes em cada ponto do País. Isso demanda estratégias de prevenção também distintas."

O relatório divulgado hoje foi o mais otimista dos últimos anos. Os números apresentados mostram que número de mortes, de registros de novas infecções atingiu em 2010 as suas menores marcas. Além disso, o número de pessoas em tratamento aumentou de forma significativa. A exceção ficou com Leste Europeu e alguns países asiáticos.

Pedro Chequer afirma que progressos maiores poderão ser alcançados, mas para isso é preciso que países desenvolvidos cumpram o compromisso firmado ano passado de aporte de recursos para combate mundial da doença. "Para conseguirmos atingir as metas é importante que países desenvolvidos respeitem o que foi firmado." A ajuda internacional diminuiu de US$ 7,6 bilhões em 2009 para US$ 6,9 bilhões em 2010.

Chequer comentou as afirmações feitas pelo papa Bento XVI em documento divulgado há dois dias dirigido à África. O texto afirma que a aids é, antes de tudo, um problema ético e defende a abstinência sexual. "É contra ética sonegar informações sobre a formas comprovadas de evitar o contágio da doença, como o preservativo."

Para ele, o papa se referia à Igreja ao falar sobre abstinência. "Certamente ele estava reforçando essa prática para os integrantes do clero, que têm como obrigação cumprir princípios estabelecidos pela Igreja, não à população em geral."


Fonte: Agência Estado
Enviado por: João Geraldo Netto

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Pacientes idosos com HIV exigem cuidados especiais

O tratamento e prevenção de doenças não relacionadas ao HIV está se tornando importante para as pessoas que sofrem da imunodeficiência em idades avançadas.

É o que conclui um estudo recém-publicado por cientistas suíços, do grupo Swiss HIV.

Reunindo o trabalho de vários pesquisadores e profissionais envolvidos na luta contra o HIV em todas as partes do país, o estudo examina o quadro clínico de aproximadamente 9.000 pacientes soropositivos de janeiro de 2008 a dezembro de 2010.

A coordenadora Barbara Hasse, do Hospital de Epidemiologia no Hospital Universitário de Zurique, explica que o estudo mostra que o HIV pode ser tratado e que os doentes podem ter uma vida normal.

Mas pessoas com mais de 65 anos e que são HIV positivo vivem um grande risco de contrair outras doenças não relacionadas ao HIV ou à AIDS, mesmo que estejam tomando medicamentos antirretrovirais.

O grupo também documentou a evolução da idade de pacientes com HIV, chegando a conclusões como o aumento, de 3% a 25%, do grupo de pessoas com idades entre 50 e 64 anos, de 1990 a 2010.

A descoberta confirma que os tratamentos com antirretrovirais podem prolongar a vida dos doentes.

Quais são as principais descobertas do estudo?

Barbara Hasse: As principais conclusões do estudo são que as chamadas "comorbidades" (doenças secundárias) são um tópico de discussão crescente na medicina de HIV - particularmente as comorbidades não relacionadas à AIDS - e que elas ocorrem com a AIDS apesar do tratamento retroviral.

Por isso não faz diferença tomar a bateria de remédios.

O que é muito importante é que existe uma necessidade de focalizar cada vez mais na prevenção (de outras doenças) na medicina de HIV.

Por exemplo, na prevenção de doenças cardiovasculares, pulmonares e outros cuidados primários que também são importantes para os nossos pacientes com HIV, pois eles estão envelhecendo. Quando se tornam mais idosos, aumenta também a possibilidade de contrair enfermidades comuns na terceira idade.

O estudo avaliou como as pessoas que fazem tratamentos retrovirais reagem aos medicamentos contra outras doenças?

B.H.: Nós apenas olhamos os números e quantas medicações paralelas eles utilizavam.

Existe outro estudo sobre a interação potencial entre os remédios contra HIV e outras medicações paralelas ao mesmo tempo na população de terceira idade.

É um problema enorme a poli farmácia nas pessoas que estão se tornando mais idosas.

Por que é difícil de comparar como as doenças atuam em pacientes com e sem o HIV?

B.H.: O grupo comparativo ideal seriam as pessoas com os mesmos hábitos de consumo do cigarro, a mesma idade assim como nosso paciente com HIV.

De forma ideal seria uma pessoa com aproximadamente 45 anos, que consomem de forma moderada álcool, possivelmente com o mesmo hábito de consumo em relação ao fumo e um pequeno grupo de usuários de entorpecentes intravenosos.

Agora me conte onde posso encontrar esse grupo? Esse é realmente o problema e também com todos os tipos de enfermidade: não existe um sistema de base populacional que possibilite encontrar de forma sistemática determinados grupos.

O que estamos tentando fazer agora é questionar primariamente o pessoal clínico se eles podem nos fornecer dados sobre morbidades múltiplas (várias doenças concomitantes) entre os seus grupos de pacientes. Assim podemos comparar os dados desses dois grupos.

O HIV pode ser considerado uma sentença de morte? O estudo parece sugerir que as pessoas com HIV estão morrendo por outras doenças não relacionadas ao mal.

B.H.: Esse estudo é como uma prova que o HIV é uma doença crônica tratável. Ela não pode ser curada, mas pode ser tratada ou controlada, o que permite uma melhor vida para os pacientes. Mais de 90% do nosso pessoal estão trabalhando e tendo uma vida normal, apesar te serem soropositivos. Isso é um sinal positivo.

Mas o inverso é que você passa a ter mais uma enfermidade quando começar a envelhecer, por exemplo, desenvolvendo doenças cardiovasculares. Nosso grupo de pacientes ainda consome álcool e nicotina, o que torna ainda mais importante à prevenção contra doenças.

Se o HIV agora pode ser controlado, deveríamos procurar uma combinação de tratamento contra e de cuidados primários com um médico generalista?

B.H.: Penso que é necessário trabalhar com um clinico especializado e com experiência no tratamento de HIV. Este, junto com o médico generalista, pode então cuidar do paciente.

Isso é o que nossa clínica basicamente está realizando. Junto com os clínicos tentamos tratar de problemas cardiovasculares, fim do fumo e coisas parecidas.

O que também é muito importante é a múltipla co-medicação que está envolvida. Por isso o clínico geral e o doutor especializado em HIV precisam saber que por que tipo de tratamento o paciente está passando.

Aqui na Suíça temos especialistas em HIV que também são médicos familiares, mas eles estão muito familiarizados com a medicina para o tratamento contra HIV.

O estudo teria mostrado que algumas doenças prevalecem mais do que as outras para pacientes de HIV?

B.H.: Nós tentamos olhar para o observatório do câncer no nosso país, que são os dados mais fiáveis sobre a questão do câncer.

Assim descobrimos que o grupo de enfermos com idades acima de 65 anos existe uma incidência de câncer maior, mas não estamos ainda muito seguros.


Fonte: Diário Da Saúde
Enviado por: João Geraldo Netto

Proteína trava multiplicação do HIV no corpo

Um grupo de pesquisadores da Universidade de Manchester, em Inglaterra, e do Instituto de Pesquisas Médicas dos EUA fizeram uma descoberta que poderá impedir a multiplicação do vírus do HIV (Vírus da Imunodeficiência Hereditária) no organismo e ajudar na criação de medicamentos para tratar os pacientes infetados.

Os cientistas envolvidos na investigação identificaram o modo pelo qual uma proteína do corpo humano, denominada SAMHD1, consegue fazer com que o vírus pare de se espalhar. Embora a proteína já fosse conhecida após ter sido identificada por especialistas norte-americanos e franceses, não se sabia qual o processo biológico que permitia impedir a disseminação.

De acordo com Michelle Webb, coordenadora do estudo agora publicado na revista Nature, o mistério está agora desvendado: "a proteína SAMHD1 consegue degradar os desoxinucleotídios do vírus", ou seja, os elementos responsáveis pela multiplicação do DNA do HIV nas células mielóides, um tipo de glóbulos brancos.

A importância da descoberta está essencialmente relacionada com a possibilidade que assim se abre de conceber remédios capazes de imitar o trabalho da proteína humana, pondo um ponto final na multiplicação do HIV nas células imunológicas.

Webb acrescenta que parar "a multiplicação do vírus" equivalerá a "impedir que o HIV alastre a outras células e, consequentemente, parar o progresso da infeção", evitando que atinja outras partes do sistema imunológico do paciente.

Os investigadores pretendem agora aprofundar os conhecimentos sobre o funcionamento desta proteína com vista à criação de bases para novas abordagens terapêuticas ao HIV e até mesmo para o desenvolvimento futuro de vacinas.

Clique AQUI para aceder ao estudo publicado na Nature (em inglês)


Fonte: Boas Notícias
Sugerida por: Raquel Baêta
Enviado por: João Geraldo Netto

No Maranhão: SAE Adolescente de São Luis amplia atendimento para jovens com até 29 anos

A coordenação municipal de DST/AIDS de São Luis (MA) vai ampliar o atendimento no SAE Adolescente da cidade para os jovens de dezoito a vinte e nove anos. A decisão foi tomada nessa segunda feira (07), em reunião com representantes da Rede Jovens com HIV/AIDS e de organizações da sociedade civil, na capital maranhense. Na ocasião, também foi discutido o plano de combate à aids voltado para os jovens do município, que deve ser ampliado para todo o Estado.

A ampliação da faixa etária no atendimento do SAE Adolescente de São Luis foi uma recomendação da Rede de Jovens, feita à coordenadora municipal de DST/AIDS, Anne Gabriela, durante o V Encontro de Adolescente e Jovens Vivendo e Convivendo com HIV/AIDS do Maranhão, realizado na cidade no último final de semana. "Estamos seguindo a orientação da política nacional de juventude e a emenda constitucional de número 75, que garante atendimento específico para os jovens no SUS", afirmou o representante da Rede de Jovens, Kleber Mendes.

Em relação ao fortalecimento do plano de juvenização da aids criado pelo município de São Luis a Rede de Jovens vai apoiar a criação de uma agenda com o Ministério da Saúde para debater o tema. Presente na reunião, a coordenadora estadual de DST/AIDS do Maranhão, Ana Luiza, afirmou que vai implantar o plano em todo o estado, a partir do próximo ano.

Para o coordenador da Rede de Jovens no Nordeste, Jadilson Neto, a reunião trouxe respostas positivas às demandas dos adolescentes e jovens soropositivos. "Saímos do encontro estadual com propostas e em menos de uma semana já estamos colocando em prática as nossas reivindicações, por isso parabenizo a todos que participam dessa construção", agradeceu.




Fonte: e-group da RNAJVHA
Enviado por: George Pacífico

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Uso de antirretrovirais em gestantes

A taxa de transmissão do HIV de mãe para filho durante a gravidez, sem qualquer tratamento, pode ser de 20%. Mas em situações em que a grávida segue todas as recomendações médicas, a possibilidade de infecção do bebê reduz para níveis menores que 1%. As recomendações médicas são: o uso de remédios antirretrovirais combinados na grávida e no recém-nascido, o parto cesáreo e a não amamentação.

O uso de medicamentos durante a gravidez é indicado para quem já está fazendo o tratamento e para a grávida que tem HIV, não apresenta sintomas e não está tomando remédios para aids. Nesse caso, o uso dos remédios antiaids pode ser suspenso ao final da gestação. Essa avaliação dependerá os exames de laboratório (CD4 a Carga Viral) e de seu estado clínico e deverá ser realizada, de preferência, nas primeiras duas semanas pós-parto, em um serviço especializado (SAE).

Diagnóstico durante o pré-natal
A testagem para HIV é recomendada no 1º trimestre. Mas, quando a gestante não teve acesso ao pré-natal adequado, o diagnóstico pode ocorrer no 3º trimestre ou até na hora do parto. As gestantes que souberem da infecção durante o pré-natal têm indicação de tratamento com os medicamentos para prevenir a transmissão para o feto. Recebem, também, o acompanhamento necessário durante a gestação, parto e amamentação. A mãe que tem o vírus não deve amamentar o bebê, porque há risco de transmissão do vírus da mãe para o filho.

Gravidez depois do diagnóstico
Além de ser um direito garantido por lei, as mulheres soropositivas podem ter uma gravidez tranquila, segura e com muito baixo risco de que seu bebê nasça infectado pelo HIV, caso faça o correto acompanhamento médico e siga todas as recomendações e medidas preventivas explicadas acima.


Fonte: Site do Ministério da Saúde
Enviado por: João Geraldo Netto

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Expectativa de vida dos soropositivos avança cada vez mais no Brasil e em grande parte do mundo

Os portadoras do vírus HIV estão cada vez mais otimistas. Isso porque, segundo cientistas do Reino Unido, a expectativa de vida dos soropositivos aumentou 15 anos entre 1996 e 2008. Segundo o infectologista do Departamento de DST/aids e hepatites virais do Ministério da Saúde, Ronaldo Hallal, a nova realidade dessas pessoas é o resultado do acesso universal ao tratamento da doença e ao avanço das pesquisas, proporcionando a população o benefício do diagnóstico precoce, prática adotada pelo Brasil desde 1996:

"O nosso grande desafio é oferecer oportunidades para que  a população busque e tenha acesso ao diagnóstico precoce, porque isso tem impacto evidente  direto na chance de controlar a infecção pelo HIV e de se beneficiar com esse avanço da tecnologia e na produção de conhecimentos que tem sido observado nas últimas décadas."

No início da década de 90, o tratamento para a aids era basicamente administrado pelo AZT, que atuava isoladamente como redutor da reprodução do HIV no organismo. Hoje, o Ministério da Saúde fornece gratuitamente cerca  de vinte anti retrovirais na rede pública de saúde, medicamentos com eficácia mais moderna, capazes de garantir a qualidade de vida do soropostivo.  O Governo Federal investe anualmente cerca de 800 milhões de reais para garantir o acesso gratuito e universal aos medicamentos para combater a aids no Brasil.


Fonte: Amazonas Notícias
Por: Débora Rocha
Enviado por: João Geraldo Netto

domingo, 18 de setembro de 2011

Cada vez mais pessoas sacam o FGTS para bancar tratamento de doenças graves

Criado originalmente em 1966 para proteger o trabalhador demitido sem justa causa, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que completa no dia 13, 45 anos, passou por muitas mudanças ao longo do tempo, que ampliaram as possibilidades de saque dos recursos. O tratamento de doenças graves, por exemplo, pode ser pago com esse dinheiro. Só no ano passado, quase 210 mil pessoas sacaram o FGTS para bancar tratamentos de doenças como câncer e aids, totalizando R$ 407,45 milhões. Em 2009, foram 185 mil trabalhadores que recorreram ao fundo com essa finalidade.

De acordo com o secretário executivo do FGTS, Quênio Cerqueira de França, saber que pode usar esse dinheiro para tratamento de doenças graves dá "tranquilidade financeira" para o trabalhador que, ao passar por problemas graves de saúde, "tem uma elevação do seu custo de vida por causa de internações, de compra de medicamentos".

Para ter acesso ao dinheiro depositado na conta vinculada do FGTS, o portador do vírus da aids deve se dirigir a uma agência da Caixa Econômica Federal levando documento de identificação, número de inscrição do PIS/Pasep ou de contribuinte individual no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), no caso do empregado doméstico, carteira de trabalho e cópia do atestado médico do profissional que acompanha o tratamento.

Os portadores de doenças graves, como câncer, devem apresentar atestado médico com validade não superior a trinta dias, com assinatura, carimbo e CRM do médico responsável pelo tratamento. O documento deve conter o diagnóstico com o relato das patologias ou enfermidades do paciente e o estágio clínico atualizado da doença.

Para os portadores de doenças terminais, o procedimento é o mesmo de quem está em tratamento de doença grave. A diferença é que o atestado médico deve conter, expressamente, a informação "paciente em estágio terminal de vida".

Quem sofre de doenças previstas pela regulamentação do FGTS pode sacar o valor total do saldo da conta vinculada. Não há limite para os saques. As informações sobre o fundo e as regras de saque podem ser obtidas na internet, na página oficial do FGTS.


Fonte: Boq News
Por: Roberta Lopes
Enviado por: João Geraldo Netto

sábado, 17 de setembro de 2011

Apesar de avanços, tratamento da aids ainda é difícil, avaliam ativistas

Juçara Portugal
Juçara Portugal, representante da Comunidade Internacional de Mulheres Vivendo com HIV (ICW) no Brasil, usa antirretrovirais desde 1992. Ela já passou por diferentes esquemas terapêuticos. “Essas novidades que aparecem com a junção de remédios são muito importantes, pois melhoram a adesão ao tratamento”, disse.

A ativista ressaltou também que atualmente os remédios são administrados de forma mais personalizada, levando em consideração outros aspectos da pessoa que tem HIV, como a possibilidade de coinfecção com outro vírus.

Porém, segundo a militante, falta esclarecimento para a população de que é possível viver com HIV e não precisar usar remédios no período chamado assintomático. “As pessoas associam HIV a medicamentos.”

O integrante da diretoria do Grupo de Incentivo à Vida (GIV), de São Paulo, Hugo Hagström disse durante entrevista especial sobre os 30 anos da epidemia que tem observado um grande avanço científico na área de tratamento. “Eu cheguei a tomar 32 comprimidos. Hoje, ainda tomo 21, mas porque estou em terapia de resgate e porque além da aids, faço tratamento para outras doenças oportunistas, mas tem gente que toma três ou quatro por dia”, comentou Hugo, que vive com HIV e aids há 26 anos.

Contudo, Hugo ressalta que os efeitos colaterais ainda são muito severos. “Como a lipodistrofia (acúmulo ou escassez de gordura em partes específicas do corpo), que atinge, em especial, as mulheres. Tenho amigas que estão com corpos masculinizados. Isso para a auto-estima delas é terrível. O campo da ciência ainda tem muito a evoluir no tratamento voltado ao gênero.”


Fonte: Agência de Notícias da Aids
Enviado por: João Geraldo Netto