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domingo, 7 de agosto de 2011

Tomo medicamentos que já não fazem efeito

Mara Moreira, que teve o sangue congelado e
não sabe o resultado do exame/Foto de André Teixeira
CURITIBA, PORTO ALEGRE, SÃO PAULO, RIO e RECIFE - Portador do vírus HIV há dois anos, Carlos, de 40, tentou em abril fazer um exame essencial para todos os soropositivos e que determina a quantidade de vírus no organismo. Morador de Recife, ele se trata no Hospital Osvaldo Cruz, mas não pôde realizar o procedimento, que, aliado a outros exames, determina quando o paciente deve começar ou mudar o tratamento. Pela falta do kit de carga viral em vários estados do país, o exame de Carlos foi remarcado para quatro meses depois.

- É uma situação horrível. A médica que me atende é excelente, mas fica sem saber o que fazer. Estou muito preocupado, porque normalmente a entrega dos resultados já demora mais de um mês, e eu devia ter feito o exame em abril - conta Carlos, que, por conta da doença, já contraiu toxoplasmose, perdeu a visão de um olho e acabou tendo que parar de trabalhar.

Propagado como o país que tem um dos melhores tratamentos de Aids, o Brasil passa, segundo os pacientes soropositivos, por uma crise. Ano passado, o medicamento Abacavir - prescrito para os casos mais graves - faltou em todo o país e houve relatos da carência de Lamivudina em algumas regiões. Agora, a falta de kits para quantificação de carga viral do HIV é um novo capítulo nos problemas que eles vêm enfrentando.

- É um exame que não pode faltar. Há quem precise fazer até três por ano, isso depende do paciente. Mas todo mundo que recebe o diagnóstico precisa desse monitoramento - diz Veriano Terto, coordenador-geral da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia). - No Rio, a gente começou a identificar a falta do kit no final de junho. Em março, tivemos falta do remédio Atazanavir em alguns estados. O que nos preocupa é que são problemas de gestão que afetam o programa de Aids, que de 2010 para cá tem apresentado falhas repetitivas.

O Ministério da Saúde reconheceu a falta do kit e o estoque reduzido e em 12 de julho assinou a nota técnica nº 197/2011. A nota determina quem deveria ter prioridade e explica que em maio de 2010 foi aberto processo licitatório para a compra e implementação da nova metodologia de quantificação da carga viral, mas que empresas que participaram do processo impugnaram a licitação.

Na época, o ministério determinou, por exemplo, que o exame fosse realizado por determinados grupos, incluindo gestantes e crianças de até 4 anos, e que quem não estivesse nesses grupos tivesse amostra de sangue coletada e congelada para ser processada quanto o estoque fosse restabelecido.

- A impugnação da licitação atrapalhou o processo de compra, e há três meses vimos que teríamos maiores problemas. Divulgamos a nota técnica, depois o ministro (Alexandre Padilha) chegou a dizer que tudo estaria regularizado até o fim de agosto, mas conseguimos antecipar e a rede estará abastecida a partir de segunda-feira - diz Eduardo Barbosa, diretor-adjunto do departamento DST, Aids e Hepatites Virais, lembrando que a falta do exame não prejudica o programa brasileiro: - A epidemia está estabilizada, temos 210 mil em tratamento, que fazem exame de carga viral duas vezes ao ano. Mas é claro que o usuário não tem que entender problema de licitação, de distribuição. Tem que ser atendido.

- O fato da gente ter resultado positivo no tratamento tem tido dois lados: as pessoas têm melhor quantidade e qualidade de vida. Mas tem feito com o que o programa não tenha a importância devida, e isso pode levar a um retrocesso - diz Cristina Moreira, coordenadora de projetos da Viva Cazuza. - A falta dos kits pode ter prejudicado a adesão de alguns pacientes ao tratamento. Já é complicado aderir, aí a pessoa fica sem o resultado e pode parar de tomar o remédio. Ficar sem fazer exame ou sem medicamento também gera estresse, e já é sabido que os pacientes têm o sistema imunológico afetado por conta do estado psicológico.

'Tomo medicamentos que já não fazem efeito'


Em falência terapêutica - quando o tratamento que combate o HIV não dá mais o resultado satisfatório esperado - Mara Moreira, de 35 anos, teve o sangue congelado em julho, no Rio, por conta da falta dos kits que fazem o exame de carga viral.

- Na consulta de maio, eu já soube que ia ter que trocar a medicação. Daí, fiz o exame, mas como não tenho o resultado ou um prazo, fico angustiada. É ruim porque tomo medicamentos que já não fazem efeito. Outros exames apontaram o aumento da carga viral e a troca dos remédios já está sendo prorrogada demais - conta ela, que é professora aposentada e voluntária do Pela Vidda.

Soropositivo há 20 anos, Aguinaldo José Gomes, de 50, conta que se sentiu obrigado a optar por um plano de saúde para "impedir que o vírus tomasse conta de sua cabeça e de sua vida". Vivendo em São Paulo, ele passou dois anos sem saber a quantidade de vírus que circulava em seu sangue e isso o fez insistir no uso de um medicamento que causou um grave efeito colateral: dores e formigamento nas pernas.

- Alguns medicamentos faltam, e é feito o chamado fracionamento. Os médicos pedem o exame de carga viral só duas vezes ao ano, mesmo sabendo que isso não é o ideal. O plano de saúde me dá paz de espírito - diz Aguinaldo.

Ex-garota de programa, C.E.B., de 36 anos, reside em Maringá, e fez o último teste de carga viral em abril. A falta do kit em sua cidade a deixou bastante preocupada:

- Quando o resultado da carga viral demorava seis meses para ser conhecido, cheguei a tomar até 29 comprimidos por dia, e os efeitos foram devastadores. Eu tinha dificuldade de me alimentar. Fico preocupada que demore para restabelecer o exame e que eu fique exposta a todo tipo de doença oportunista.

Vice-presidente do Grupo de Apoio à Prevenção da AIDS (Gapa/RS), Carlos Alberto Duarte diz que a falta do kit cria um "prejuízo imenso e incalculável", e lembra que no Rio Grande do Sul, a demora para conseguir agendar o exame é antiga:

- É comum conseguirmos fazer apenas um exame por ano, enquanto o próprio Ministério da Saúde orienta que se repita a cada quatro meses.


Fonte: O Globo
Por: Carolina Benevides, Leila Suwwan, Marcus Vinicius Gomes, Naira Hofmeister e Letícia Lins
Enviado pelo jovem: João Geraldo Netto

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Exame de HIV com chip pode substituir teste laboratorial, diz estudo

Um teste de sangue portátil e barato feito com a ajuda de um chip é tão seguro quanto os exames laboratoriais caros para detectar o HIV, o vírus causador da Aids, afirma um estudo feito em Ruanda, na África, e publicado nesta semana na revista "Nature Medicine".

O teste, feito em um aparelho do tamanho de um cartão de crédito, também é capaz de detectar outras doenças infecciosas, como a sífilis.

Chamado de "mChip", o exame derruba três barreiras para o teste de HIV em larga escala em países pobres: a dificuldade de acesso, os altos custos e a demorada espera por resultados.

Segundo o líder do estudo, a novidade permite que as pessoas sejam testadas em qualquer lugar – sem a necessidade de ir até uma clínica.

A expectativa é que o chip custe US$ 1 por unidade – bem mais barato que a alternativa laboratorial.


Fonte: G1 (Agence France-Presse)
Enviado pelo jovem: João Geraldo Netto

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Ativistas criticam novo prazo para regularização de testes de carga viral

Em resposta ao novo prazo do Ministério da Saúde para a regularização do estoque de exames de carga viral (Leia aqui), ativistas reforçaram a necessidade de estoques reguladores e pediram a reestruturação do SUS. Segundo o ministro Alexandre Padilha, a situação estará normalizada até o final de agosto. O prazo inicial, divulgado pelo Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais na semana passada, era o começo do próximo mês.

"Quem conhece a logística do Ministério da Saúde sabe que seria impossível acabar com o problema nas primeiras semanas de agosto. Uma coisa é o material chegar aos Estados e municípios, outra é estar disponível aos usuários", disse o representante do Fórum de ONG/Aids do Estado do Rio de Janeiro, William Amaral.

As explicações oficiais de que a falta de kits para os exames aconteceu porque algumas empresas que participavam da licitação de compra entraram com recursos, atrasando o processo,  não serviram como justificativa para William. "O governo precisa estar preparado para essas situações. Mais uma vez fica clara a necessidade de estoques emergenciais", afirmou. Segundo o ativista, "o Departamento de Aids está desaprendendo como combater a doença."

Já o integrante do GIV (Grupo de Incentivo à Vida), Jorge Beloqui, avaliou que a situação não pode ser vista com um problema pontual. "Esta não é uma dificuldade isolada da resposta brasileira à aids. Recentemente faltaram vários remédios", lembou.  "É preciso reestruturar o SUS, desde o Ministério até o municípios".

Beloqui também cobrou informações do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais de um diagnóstico que seria realizado pelo órgão sobre o fluxo de medicamentos. Em março deste ano, quando o antirretroviral atazanavir 300mg teve a distribuição fracionada para evitar o desabastecimento, o diretor do Departamento, Dirceu Greco, afirmou à Agência Aids que em cerca de 30 dias essa análise seria concluída.


Dica de Entrevista
William Amaral (Fórum de ONG/Aids do RJ)
Tel.: (21) 3563-6440
Jorge Beloqui (GIV)
Tel.: (11) 5084-0255 / (11) 5084-7465

Fonte: Agência de Notícias da Aids
Por: Fábio Serrato
Enviado pelo jovem: João Geraldo Netto

terça-feira, 26 de julho de 2011

Ministro da Saúde garante regularização dos estoques de exames de carga viral em agosto

Rio de Janeiro – O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, garantiu hoje (26) que, até o final de agosto, o fornecimento do sistema de carga viral de HIV no sangue estará totalmente regularizado. Segundo o ministro, houve uma disputa no processo de licitação com várias empresas e algumas entraram com recurso, o que atrasou a contratação de novos exames.

"Por isso, tivemos que fazer uma licitação de emergência para garantir a regularização em agosto”, disse Padilha, após participar da abertura dos trabalhos da Rede dos Institutos de Enfrentamento ao Câncer, dos países membros da União das Nações Sul-Americanas (Unasul).

O ministro informou que os exames de carga viral sempre estiveram garantidos para os grupos prioritários: gestantes, crianças,  pacientes no início de tratamento ou com necessidade de troca de medicamento.

Na semana passada, o Ministério da Saúde divulgou nota técnica garantindo prioridade para crianças e gestantes infectadas pelo HIV na realização deste tipo de exames na rede pública.


Fonte: Agência Brasil
Repórter: Flávia Villela
Edição: Nádia Franco
Enviado pelo jovem: João Geraldo Netto

terça-feira, 19 de julho de 2011

Falta de kits para medir carga de HIV faz governo restringir exame

O Ministério da Saúde passou a restringir em todo o país o chamado exame de carga viral, que mede a carga de HIV no sangue e pode mostrar, por exemplo, se o tratamento está funcionando.

Nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, há relatos de que o sangue está sendo colhido, mas congelado para fazer o exame depois.

Na última semana, o ministério divulgou uma nota técnica criando dois grupos prioritários de teste: gestantes infectadas pelo HIV e crianças.

Os pacientes fora do grupo de prioridade devem fazer o exame quando os estoques forem regularizados.

A falta do kit começou quando o ministério resolveu implantar um teste para carga viral em tempo real. Em maio, a pasta deu início a um processo de licitação, que acabou atrasando - um dos participantes questionou o processo.

Agora, o governo terá de fazer uma compra emergencial de mais kits.


Fonte: Folha de São Paulo
Enviado pela jovem: Andréia Fernandes