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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Meninos (e meninas) também podem viver com HIV/Aids

Oséias Cerqueira
Pela primeira vez eu trago um entrevistado para o blog que não vai falar sobre moda masculina, entretanto, acredito que o assunto se justifique por si só. Convidei o Coordenador Regional do Nordeste da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids, Oséias Cerqueira, estudante de Direito e estagiário do Grupo de Apoio à Prevenção à Aids da Bahia, para esclarecer algumas impressões que temos sobre o tema, muitas vezes cercadas de preconceito.

Este post não tem a intenção de informar sobre métodos de prevenção de uma forma didática. A ideia é entender que todos nós, soropositivos e soronegativos, convivemos com a Aids no nosso dia a dia.

"A Aids precisa deixar de gerar medo e silêncio. As pessoas precisam parar de ver a Aids como uma doença do outro, como algo que matemos à distância. O que não nos damos conta é que a Aids está perto. Isso implica, muitas vezes, em obstáculos à prevenção. À medida em que penso que a Aids é algo que não tem a ver comigo, não preciso ter maiores preocupações com ela. Pertence a grupos específicos (gays, usuários de drogas etc)".

Campanha do Ministério da Saúde
contra o preconceito
Oséias conta que um dos principais desafios para a juventude soropositiva é a inserção social e a garantia do livre exercício de direitos sexuais e reprodutivos – sim, meus caros, pessoas convivendo com HIV/Aids podem ter uma vida sexual saudável, com parceiros sorodiscordantes ou não.

"O que as pessoas não entendem é que alguém pode viver com Aids (ter filhos, casar, amar qualquer pessoa, fazer sexo protegido com qualquer pessoa). Que as pessoas vivendo com Aids são, acima de tudo, pessoas. Que a Aids é só um elemento da vida delas e não pode ser pretexto para discriminação".

Para os que querem mais informações sobre o assunto, Oséias indica os sites do Ministério da Saúde, Encontro Nacional de Manaus 2011 e Gapa Bahia.


Fonte: Meninos Também Podem
Enviado por: Ozzy Cerqueira

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Profissão Reporter - Aids no Brasil







Fonte: Profissão Reporter no Youtube
Enviado por: João Geraldo Netto

Ativistas, soropositivos e gestores falam sobre os avanços e desafios no combate à Aids

Alister Rafael, integrante da RNAJVHA
conta sua experiência
Nesta segunda-feira, dia 15 de agosto, o programa Aconteceu, da RedeTV!, foi dedicado aos 30 anos da aids no mundo. Ativistas, pessoas que vivem com aids e gestores relataram as formas de prevenção e experiências de como é viver com uma doença sexualmente transmissível que baixa as defesas do organismo e não tem cura.

"Quando recebi o diagnóstico positivo de HIV eu senti que tinha morrido", disse o fundador do Grupo Hipupiara, ONG paulista de combate ao HIV, Beto Volpe.

Beto adoeceu em uma época que ainda não havia remédios. "Fiquei em estado terminal, com 34kg. Em 1996, com a disponibilização de antirretrovirais no país, me recuperei".

Com explicações da coordenadora do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo, Maria Clara Gianna, o programa da RedeTV! mostrou que todos são vulneráveis ao vírus da aids. "Mas existem grupos que são mais expostos ao HIV, como gays, homens que fazem sexo com homens, mulheres e usuários de crack", explicou Maria Clara.

No caso da advogada Beatriz Pacheco, a infecção veio aos 50 anos de idade, por meio do marido. Eles não usavam camisinha. Hoje, aos 62 anos, Beatriz está com outro marido, que é soronegativo. "Tivemos que aprender a usar camisinha. Aprendemos a erotizar o preservativo em uma festa de amor, de prevenção, no sentido de dizer eu te amo tanto que cuido de você."

Problemas

Os problemas relacionados ao tratamento das pessoas com HIV/Aids também foram abordados. "Tem fracionamento de medicamento, faltam kits para a realização do teste de carga viral e o agendamento da primeira consulta é demorado", relatou o enfermeiro Alister Rafael Silva, que contraiu o HIV depois de uma relação eventual sem preservativo.

O Ministério da Saúde informou que os problemas com o kit foram resolvidos sem ter prejudicado o tratamento de nenhum paciente. Já os atrasos nas consultas variam de acordo com cada região e devem ser apurados com as coordenações municipais de DST/Aids.






Fonte: Agência de Notícias da Aids
Por: Redação
Imagens: Reprodução
Enviado por: João Geraldo Netto

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Evangélicos sem espetáculo

Pessoas religiosas e seculares fazem um grande trabalho humanitário, mas às vezes não trabalham juntas por suspeitas mútuas

O Reverendo John Stott foi
comparado ao papa para os
evangélicos do mundo todo
Nesta época de polarizações, poucas palavras provocam tanta aversão nos ambientes liberais quanto "cristão evangélico".

Em parte, isto se explica porque, nos últimos 25 anos, os evangélicos foram associados a personagens rabugentos e fanfarrões. Quando os reverendos Jerry Falwell e Pat Robertson debateram na televisão se os ataques de 11 de Setembro foram uma punição de Deus contra as feministas, os gays e os secularistas, Deus deveria tê-los processado por difamação.

Anteriormente, Falwell defendera que a aids é "o julgamento de Deus sobre a promiscuidade". Esta presunção religiosa permitiu que o vírus da aids se espalhasse, constituindo uma imoralidade maior do que tudo o que poderia acontecer nas saunas gays.

Em parte, por causa desta postura bem-pensante, todo o movimento evangélico frequentemente foi condenado pelos progressistas como reacionário, míope, irracional e até mesmo imoral.

Entretanto, esse menosprezo casual é profundamente injusto, se considerarmos o movimento como um todo. Ele reflete um tipo de intolerância às avessas, às vezes um fanatismo às avessas, dirigido contra dezenas de milhões de pessoas que na realidade se envolveram cada vez mais na luta contra a pobreza e na defesa da justiça global.

Essa linha compassiva da corrente evangélica foi dotada de bases extremamente sólidas pelo reverendo John Stott, um moderado estudioso inglês que influiu de maneira muito mais importante no cristianismo do que astros da mídia como Robertson ou Falwell. Stott, que morreu há alguns dias aos 90 anos, foi incluído na lista das cem pessoas mais influentes do globo da revista Time. Em termos de estatura, às vezes foi considerado o equivalente do papa entre os evangélicos de todo o mundo.

Stott não pregou acenando com a ameaça das penas do inferno numa rede cristã de televisão. Ele foi um humilde estudioso cujos 50 livros aconselham os cristãos a emular a vida de Jesus - principalmente sua preocupação com os pobres e os oprimidos - e a se opor a mazelas sociais como a opressão racial e a poluição ambiental.

"Os bons samaritanos sempre serão necessários para socorrer os que foram assaltados e roubados; entretanto, seria melhor acabar com os bandoleiros na estrada de Jerusalém a Jericó", escreveu Stott em seu livro A Cruz de Cristo. "Por isso, a filantropia cristã em termos de alívio e ajuda é necessária, mas muito melhor seria um aprimoramento a longo prazo, e nós não podemos fugir da nossa responsabilidade política e da necessidade de participar da transformação das estruturas que inibem este aprimoramento. Os cristãos não podem olhar com tranquilidade as injustiças que arruínam o mundo de Deus e degradam suas criaturas".

Stott deu exemplos das injustiças contra as quais os cristãos precisam lutar: "os traumas da pobreza e do desemprego", "a opressão das mulheres", e na educação, "a negação de iguais oportunidades a todos".

Para muitos evangélicos que sempre se retraíam quando um "televangélico" ganhava as manchetes, Stott era um guru intelectual e uma inspiração. Richard Cizik, presidente da Nova Igreja Evangélica Parceria para o Bem Comum, que trabalhou heroicamente para combater desde o genocídio até a mudança climática, me disse: "Contra a charlatanice e a irracionalidade no nosso movimento, Stott permitiu afirmar que você é 'evangélico' e não deve se arrepender".

O reverendo Jim Wallis, diretor de uma organização cristã chamada Sojourners (Os visitantes), que trabalha em prol da justiça social, acrescentou: "John Stott foi o primeiro líder evangélico importante que defendeu o nosso trabalho na Sojourners". Stott, que foi um aluno brilhante em Cambridge, também ressaltou que a fé e o intelecto não precisam ser conflitantes.

Há muitos séculos, o estudo profundo da religião era extraordinariamente exigente e rigoroso; por outro lado, qualquer um podia declarar-se cientista e passar a exercer a alquimia, por exemplo. Hoje, é o contrário. Um título de doutor em química exige uma formação rigorosa, enquanto um pregador pode explicar a Bíblia pela televisão sem dominar o hebraico ou o grego - ou mesmo sem mostrar interesse pelas nuances dos textos originais.

Os que se denominam líderes evangélicos revelam-se hipócritas, transformando Jesus em lucro em lugar de emulá-lo. Alguns parecem inclusive homofóbicos, e muitos que se declaram "a favor da vida" parecem pouco preocupados com a vida humana depois que ela sai do útero. São os pregadores que aparecem nas manchetes e são menosprezados.

Escrevendo sobre a pobreza, as doenças e a opressão, encontrei outros ainda. Os evangélicos estão desproporcionalmente dispostos a doar o dízimo do que ganham a obras de caridade, em geral ligadas à igreja. O mais importante é que se procuramos nas linhas de frente, nos EUA ou no exterior, nas batalhas contra a fome, a malária, as violações nas prisões, a fístula obstétrica, o tráfico de pessoas ou o genocídio, alguns dos mais corajosos que encontramos são cristãos evangélicos (ou católicos conservadores, que a eles se assemelham de muitas maneiras) que vivem verdadeiramente a sua fé.

Não sou particularmente religioso, mas reverencio os que vi arriscando sua vida dessa maneira - e me enoja ver esta fé ridicularizada em coquetéis em Nova York.

Por que tudo isto é importante?

Porque tanto as pessoas religiosas quanto as seculares fazem um trabalho fantástico em questões humanitárias - mas elas frequentemente não trabalham juntas em razão das suspeitas mútuas. Se pudermos superar este "abismo divino", poderemos progredir muito mais no combate às mazelas do mundo.

E esta seria, realmente, uma dádiva divina.


Fonte: O Estado de São Paulo
Por: Nicholas D. Kristof, The New York Times
Traduzido por: Anna Capovilla
Enviado pelo jovem: João Geraldo Netto

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Mobilização Jovem: encontro aborda assuntos como DSTs, cidadania e sexualidade

Professores participando de uma
das oficinas do evento
Na última semana, entre os dias 12 e 14 de abril, colégios da região metropolitana do estado participaram do evento Mobilização Jovem, promovido pelo Grupo Gestor Estadual do Projeto Saúde e Prevenção nas Escolas (GGE-RJ/SPE). Cerca de 50 alunos e 20 professores da rede pública de ensino se reuniram no hotel Golden Park, na Glória, Rio de Janeiro, para aprender e compartilhar informações sobre doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), como AIDS e hepatites, diversidade sexual, cidadania e gravidez.

Jane Portella, técnica de prevenção da gerência de DST/AIDS e hepatites virais da Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil, abriu o encontro e falou sobre a importância de ações como esta. "Sabemos que os jovens têm uma grande vulnerabilidade. Mas além de focar nas doenças, promovendo saúde e prevenindo problemas, as atividades propõem uma discussão sobre a questão da sexualidade de modo geral", afirma.

Tânia Barbosa, da Coordenação de
Saúde na Escola da Seeduc
Quem também esteve presente ao evento e discursou para a plateia foi Fátima Malheiro, do MEC. "É importante os jovens estarem incorporando a sua participação em outros espaços de aprendizagem, aprendendo como tomar conta e ser responsável pelo seu corpo, pela sua saúde, e descobrindo seu papel social dentro da escola", destaca a técnica pedagógica.

Durante os três dias de evento, alunos e educadores de escolas estaduais e municipais participaram de oficinas que abordavam diferentes temas, como prevenção de DSTs e direitos humanos. Houve, ainda, a apresentação do guia de educação entre pares para os jovens, além de cartilhas, gibis e outros materiais de orientação para trabalhos e ações a serem realizados pelos professores em sala de aula. No último dia, os grupos formados nas oficinas apresentaram o que elaboraram em equipe durante as atividades.

"Papo reto"

Membros da Rede Estadual de Adolescentes e Jovens Vivendo e Convivendo com HIV/AIDS (REAJVCHA-RJ) trabalharam diretamente com os alunos que foram ao evento, com dinâmicas de construção de personagens para uma dramatização. "Falamos de igual para igual, temos a mesma faixa etária desses estudantes. A linguagem, o comportamento e os pensamentos estão mais alinhados, o que permite maior interação com eles e facilita qualquer tipo de trabalho e conscientização", diz Alister Rafael, um dos integrantes do grupo.

Representando a ONG CEDAPS (Centro de Promoção da Saúde) no GGE-RJ, Geísa Ferreira ressaltou o esforço de chegar mais perto dos adolescentes. "A ideia é ter sempre representantes de grupos afins e, também, dos jovens. Tentamos há algum tempo trazer os jovens, e agora conseguimos", comemora Geísa, reforçando que o intuito do grupo é fazer com que cada município se mobilize e, posteriormente, desenvolva suas próprias ações.

"A gente trabalha 'com', e não 'para'. As oficinas fazem com que alunos e professores se integrem, participem, troquem experiências. Ano passado oferecemos uma capacitação para profissionais de saúde e educação em todas as regiões do estado. Neste ano, a mobilização é mais voltada para os estudantes – são jovens falando com jovens. A partir disso, cada um vai decidir de que forma levar esse conhecimento adquirido adiante, entre seus pares, amigos, família, escola e comunidade", acrescenta Jane Portella.

A aluna Jéssica Nascimento
aprovou a experiência
Jéssica Nascimento, aluna do Colégio Estadual Maria Pereira das Neves, em Niterói, compareceu ao evento e aprovou a experiência: "Hoje as meninas engravidam muito cedo, não sabem as consequências do que fazem. E muitas vezes os adolescentes ficam com medo ou vergonha de conversar sobre sexo com os pais ou na escola. Então é legal ter um espaço assim, mais aberto, para discutir esses assuntos", diz. Além da REAJVCHA-RJ, a ONG Promundo e o grupo Cia. da Saúde também movimentaram os alunos com oficinas e uma esquete.

O encontro foi promovido pela Coordenação de Saúde na Escola da Seeduc, em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil, a Undime-RJ (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação), a Unesco, a Unicef e os Ministérios da Educação e da Saúde.

Segundo Tânia Jacinta Barbosa, da Coordenação de Saúde na Escola, o projeto Saúde e Prevenção nas Escolas é um trabalho em conjunto que vem dando certo a cada evento: "Desde 2003 temos organizado essas ações com as escolas e queremos aumentar mais e mais o número de participantes. É um trabalho que atingirá todo o Estado. Em maio estaremos com os alunos e professores do Médio Paraíba".


Fonte: Conexão Professor
Enviado pela jovem: Rafaela Queiroz

terça-feira, 19 de julho de 2011

Estudo mostra que tratamento contra transmissão da Aids é mais eficaz do que o anunciado

A utilização do tratamento antirretroviral contra a transmissão do HIV é ainda mais eficaz do que o anunciado, segundo os últimos resultados de um estudo divulgado nesta segunda-feira (18) em Roma.

O estudo HPTN 052, realizado em nove países, tinha sido apresentado em maio. Ele foi feito com 1.763 casais sorodiferentes (uma pessoa infectada, a outra não) e indicava que se a pessoa infectada fosse tratada mais cedo, haveria uma redução do risco de infecção de 96% na outra (28 pessoas infectadas, sendo 27 entre as pessoas tratadas mais tarde).

De fato, segundo as revelações feitas nesta segunda-feira, 29 pessoas tinham sido infectadas, sendo 28 entre as pessoas tratadas mais tarde.

Foi divulgado que o único caso de infecção no casal em que a pessoa infectada foi tratada cedo ocorreu muito provavelmente logo depois da entrada do casal no tratamento, que ainda não tinha reduzido a carga viral.

Além disso, iniciar o tratamento mais cedo com pessoas infectadas aumenta o benefício individual, já que as taxas de CD4, células que medem a imunidade, são ainda mais elevadas entre elas do que entre as pessoas tratadas mais tarde. Houve também entre as primeiras uma taxa 41% menor de infecções oportunistas ligadas à infecção por HIV, como a tuberculose, e de mortes.

Após este estudo, a OMS, que deveria apresentar em Roma as suas recomendações sobre a prevenção e o tratamento dos casais sorodiferentes, adiou a publicação. Segundo Gottfried Hirnschall, diretor do Departamento HIV/Aids da OMS, essas informações devem refletir na forma como são tratados os casais.

- Esse dados terão reflexo em nossas recomendações para a prevenção dos casais, e também nos conselhos relativos à utilização estratégica dos ARV para o tratamento e a prevenção do HIV.

Myron Cohen, da Universidade da Carolina do Norte, que dirigiu o estudo, se disse "particularmente feliz" que a OMS leve em consideração esses dados para suas recomendações.

Os resultados do estudo foram divulgados online nesta segunda-feira no New England Journal of medicine.


Fonte: R7 (Copyright AFP)
Enviado pelo jovem: João Geraldo Netto

Europa propõe que pessoas com Aids deem assistência a novos infectados

Ideia é que quem preste socorro conheça perfeitamente os problemas da doença

Assessorar novos infectados pelo HIV e ajudá-los a melhorar sua qualidade de vida através de depoimentos de pessoas que já convivem com o vírus são dois dos grandes objetivos do programa apresentado nesta terça-feira (19) em Roma durante a 6ª Conferência da Sociedade Internacional de Aids (IAS, na sigla em inglês).

Segundo a psicóloga social e gerente da Sociedade Espanhola Interdisciplinar da Aids, María José Fuster "é muito mais útil que uma pessoa que tem HIV explique a outra infectada questões relativas ao tratamento, ao diagnóstico ou à qualidade de vida, já que é uma fonte mais crível por sua experiência e pela empatia".

Segundo María, que tem Aids há 21 anos e participou da redação do programa ao lado de outras mulheres infectadas e de pessoas da área da saúde de seis países europeus, a ideia é que quem preste socorro conheça perfeitamente os problemas de quem precisa porque passou por situações e dificuldades similares.

- Quando uma pessoa se contagia, três grandes temores a tomam: 'Quando vou morrer?', 'O que me vai acontecer se eu começar o tratamento?' e 'Quem vai me querer a partir de agora?'.

A psicóloga ressalta que, ao tratar diretamente com "um igual", muitos dos medos que o paciente tem desaparecem.

- Eles veem que você está bem e se convencem que é possível.

Acrescenta a espanhola, antes de detalhar que a rede de apoio é "fundamental" para enfrentar a doença e o tratamento contra a Aids, que, segundo os últimos estudos, tem efeitos positivos em 96% dos casos.

A médica da unidade do HIV do Hospital Geral de Vigo Celia Miralles concorda com as afirmações de María e explica que, apesar da crença generalizada, as mulheres são um dos grupos mais afetados pelo vírus, já que as características de seus órgãos genitais as transformam em sujeitos mais vulneráveis.

- Quando falamos de novos casos, a relação de contágio é de três homens para cada mulher, mas quando nos focamos em relações heterossexuais, a taxa passa a ser de 1,3 homens por uma mulher.


Fonte: R7 ("Copyright Efe - Todos os direitos de reprodução e representação são reservados para a Agência Efe.")
Enviado pelo jovem: João Geraldo Netto

"As farmacêuticas bloqueiam medicamentos que curam, porque não são rentáveis"

O Prémio Nobel da Medicina Richard J. Roberts denuncia a forma como funcionam as grandes farmacêuticas dentro do sistema capitalista, preferindo os benefícios económicos à saúde, e detendo o progresso científico na cura de doenças, porque a cura não é tão rentável quanto a cronicidade.

Richard J. Roberts
Há poucos dias, foi revelado que as grandes empresas farmacêuticas dos EUA gastam centenas de milhões de dólares por ano em pagamentos a médicos que promovam os seus medicamentos. Para complementar, reproduzimos esta entrevista com o Prémio Nobel Richard J. Roberts, que diz que os medicamentos que curam não são rentáveis e, portanto, não são desenvolvidos por empresas farmacêuticas que, em troca, desenvolvem medicamentos cronificadores que sejam consumidos de forma serializada. Isto, diz Roberts, faz também com que alguns medicamentos que poderiam curar uma doença não sejam investigados. E pergunta-se até que ponto é válido e ético que a indústria da saúde se reja pelos mesmos valores e princípios que o mercado capitalista, que chega a assemelhar-se ao da máfia.

A investigação pode ser planeada?
Se eu fosse Ministro da Saúde ou o responsável pelas Ciência e Tecnologia, iria procurar pessoas entusiastas com projectos interessantes; dar-lhes-ia dinheiro para que não tivessem de fazer outra coisa que não fosse investigar e deixá-los-ia trabalhar dez anos para que nos pudessem surpreender.

Parece uma boa política.
Acredita-se que, para ir muito longe, temos de apoiar a pesquisa básica, mas se quisermos resultados mais imediatos e lucrativos, devemos apostar na aplicada…

E não é assim?
Muitas vezes as descobertas mais rentáveis foram feitas a partir de perguntas muito básicas. Assim nasceu a gigantesca e bilionária indústria de biotecnologia dos EUA, para a qual eu trabalho.

Como nasceu?
A biotecnologia surgiu quando pessoas apaixonadas começaram a perguntar-se se poderiam clonar genes e começaram a estudá-los e a tentar purificá-los.

Uma aventura.
Sim, mas ninguém esperava ficar rico com essas questões. Foi difícil conseguir financiamento para investigar as respostas, até que Nixon lançou a guerra contra o cancro em 1971.

Foi cientificamente produtivo?
Permitiu, com uma enorme quantidade de fundos públicos, muita investigação, como a minha, que não trabalha directamente contra o cancro, mas que foi útil para compreender os mecanismos que permitem a vida.

O que descobriu?
Eu e o Phillip Allen Sharp fomos recompensados pela descoberta de introns no DNA eucariótico e o mecanismo de gen splicing (manipulação genética).

Para que serviu?
Essa descoberta ajudou a entender como funciona o DNA e, no entanto, tem apenas uma relação indirecta com o cancro.

Que modelo de investigação lhe parece mais eficaz, o norte-americano ou o europeu?
É óbvio que o dos EUA, em que o capital privado é activo, é muito mais eficiente. Tomemos por exemplo o progresso espectacular da indústria informática, em que o dinheiro privado financia a investigação básica e aplicada. Mas quanto à indústria de saúde… Eu tenho as minhas reservas.

Entendo.
A investigação sobre a saúde humana não pode depender apenas da sua rentabilidade. O que é bom para os dividendos das empresas nem sempre é bom para as pessoas.

Explique

A indústria farmacêutica quer servir os mercados de capitais …

Como qualquer outra indústria.
É que não é qualquer outra indústria: nós estamos a falar sobre a nossa saúde e as nossas vidas e as dos nossos filhos e as de milhões de seres humanos.

Mas se eles são rentáveis investigarão melhor.
Se só pensar em lucros, deixa de se preocupar com servir os seres humanos.

Por exemplo…
Eu verifiquei a forma como, em alguns casos, os investigadores dependentes de fundos privados descobriram medicamentos muito eficazes que teriam acabado completamente com uma doença.

E por que pararam de investigar?
Porque as empresas farmacêuticas muitas vezes não estão tão interessadas em curar as pessoas como em sacar-lhes dinheiro e, por isso, a investigação, de repente, é desviada para a descoberta de medicamentos que não curam totalmente, mas que tornam crónica a doença e fazem sentir uma melhoria que desaparece quando se deixa de tomar a medicação.

É uma acusação grave.
Mas é habitual que as farmacêuticas estejam interessadas em linhas de investigação não para curar, mas sim para tornar crónicas as doenças com medicamentos cronificadores muito mais rentáveis que os que curam de uma vez por todas. E não tem de fazer mais que seguir a análise financeira da indústria farmacêutica para comprovar o que eu digo.

Há dividendos que matam.
É por isso que lhe dizia que a saúde não pode ser um mercado nem pode ser vista apenas como um meio para ganhar dinheiro. E, por isso, acho que o modelo europeu misto de capitais públicos e privados dificulta esse tipo de abusos.

Um exemplo de tais abusos?
Deixou de se investigar antibióticos por serem demasiado eficazes e curarem completamente. Como não se têm desenvolvido novos antibióticos, os microorganismos infecciosos tornaram-se resistentes e hoje a tuberculose, que foi derrotada na minha infância, está a surgir novamente e, no ano passado, matou um milhão de pessoas.

Não fala sobre o Terceiro Mundo?
Esse é outro capítulo triste: quase não se investigam as doenças do Terceiro Mundo, porque os medicamentos que as combateriam não seriam rentáveis. Mas eu estou a falar sobre o nosso Primeiro Mundo: o medicamento que cura tudo não é rentável e, portanto, não é investigado.

Os políticos não intervêm?
Não tenho ilusões: no nosso sistema, os políticos são meros funcionários dos grandes capitais, que investem o que for preciso para que os seus boys sejam eleitos e, se não forem, compram os eleitos.

Há de tudo.
Ao capital só interessa multiplicar-se. Quase todos os políticos, e eu sei do que falo, dependem descaradamente dessas multinacionais farmacêuticas que financiam as campanhas deles. O resto são palavras…


Publicado originalmente em 18 de Junho de 2011 no La Vanguardia. Retirado de Outra Política
Tradução de Ana Bárbara Pedrosa para o Esquerda.net
Fonte: Forum Popular de Saúde do Paraná

Foto: Wally Hartshorn
Enviado pela jovem: Andréia Fernandes



sexta-feira, 15 de julho de 2011

Jovens infectados pelo HIV contam como lidam com a Aids e com o preconceito

A infecção por HIV entre jovens de 13 a 19 anos está se espalhando pelo Brasil.

De 1991 a 2009, aumentou em 53% o número de municípios com casos da doença nessa faixa etária.

São dados de uma pesquisa que será divulgada na quarta-feira, Dia Mundial de Luta Contra a Aids, pelo Ministério da Saúde. O número foi obtido com exclusividade pelo Folhateen.

O governo vai lançar também nessa data uma campanha de conscientização voltada à discriminação sofrida por jovens com o vírus.

A iniciativa busca evitar situações como a vivida pela paulista Natasha Braz, 17, que nasceu com a doença.

"Um grupo de meninas da escola começou a gritar para ninguém ficar perto de mim, para não pegar Aids", diz.

O vírus, porém, não é transmitido por proximidade física, e, sim, por sexo desprotegido ou por transfusão de sangue contaminado.

O paranaense Fabrício Stocker, 20, foi infectado pelo vírus no ano passado, ao transar sem camisinha.

"Eu achava que não aconteceria comigo", diz. "A gente assume os riscos, pensa que é o Superman."

O baiano Oséias Cerqueira, 22, também contraiu o vírus aos 19 anos, por sexo.

Na época, ele decidiu não contar a todos sobre a doença. "As pessoas não estão preparadas para saber, culpam você por ter HIV", diz.

O HIV é frequentemente associado a homossexuais com muitos parceiros, apesar de os dados oficiais mostrarem que há mais infecções entre jovens heterossexuais.

"Não precisa contar para transar, desde que você use camisinha", afirma Oséias. "É uma coisa do foro íntimo."

Amanda Cristina, 18, age diferente com os namorados. "Deixo claro desde o começo." A garota, que adquiriu o vírus da mãe, conta que usa camisinha inclusive para sexo oral (leia mais aqui).

Ao esconder a doença, Oséias não podia explicar aos colegas da faculdade o real motivo dos vômitos durante as aulas, causados pelo tratamento para controlar o vírus e manter alta a resistência de seu organismo.

A combinação de remédios necessária é apelidada de "coquetel" e pode causar também diarreias e dores de cabeça. Essas reações podem desmotivar jovens a se tratar.

"É muito difícil tomar os medicamentos, e você pode ter de usá-los pelo resto da vida", diz Kleber Mendes, 27, soropositivo e idealizador da Rede Nacional de Jovens Portadores de HIV. "Isso nos torna mais responsáveis do que a maior parte dos jovens."

"Precisa de vontade para continuar o tratamento", diz José Rayan, 18, de Manaus. "Sofri muito, mas meu organismo se adaptou."

Usar as medicações foi uma questão de sobrevivência para Hugo Soares, 23, de Belém. Após passar anos com a saúde debilitada, ele fez exame de sangue aos 21 anos. Descobriu ter Aids.

"Meus pais me diziam que era besteira fazer o teste", afirma o rapaz, que acredita ter sido infectado por volta dos 16 anos. "Resolvi fazer por contra própria", diz.

Hoje, após aderir ao tratamento, Hugo está com a saúde estável. Mas o vírus ainda o afeta de outras maneiras.

"Eu estava concorrendo a uma vaga de emprego e apareci em um jornal local como portador de HIV", diz. "De repente, não havia mais vaga."

"ACHEI QUE NUNCA ACONTECERIA COMIGO"

"Aos nove anos de idade, uma médica me disse que eu tinha um bichinho na ponta do dedo e que ele ia me secar se eu não me alimentasse direito. Era HIV", Amanda Cristina, 18
"Meus pais tinham medo de que os vizinhos soubessem. Mas vi que, quanto mais eu me escondesse, mais preconceito haveria", Fabrício Stocker, 20

"Para quem está no início do tratamento, é muito ruim. Sofri muito, mas meu organismo se adaptou. Hoje, não sinto nada", José Rayan, 18



Matéria publicada em 29 de Novembro de 2010
Fonte: Folha de São Paulo
Editoria de Arte: Folhapress
Enviado pelo jovem: João Geraldo da Silva Netto

Cientistas descobrem anticorpos que atacam HIV

As moléculas do sistema imunológico de algumas pessoas que são capazes de neutralizar o HIV têm uma origem comum no DNA, mostra uma nova pesquisa.

A descoberta foi feita por cientistas dos EUA e da Alemanha estudando voluntários que contraíram o vírus, mas não apresentam sintomas da doença.

Desenvolvendo um novo método para identificar anticorpos - proteínas que atacam micróbios invasores no organismo - os pesquisadores descobriram 576 tipos diferentes dessas moléculas.

E a surpresa: todas elas, apesar de marcadas diferenças, eram extremamente agressivas contra o HIV e tinham origem em apenas dois trechos distintos de DNA.

Já se sabia que alguns anticorpos humanos eram capazes de neutralizar o HIV, mas um estudo sobre o novo achado, publicado hoje na revista "Science", é o primeira a dar uma pista sobre como o sistema imune os fabrica.
"Descobrimos que existe uma certa similaridade entre as respostas imunes de diferentes pessoas, que usam o mesmo anticorpo inicial para produzir os anticorpos que neutralizam o HIV", diz Michel Nussenzweig, brasileiroque trabalha na Universidade Rockefeller, de Nova York, e é coordenador do estudo.

"Achamos isso estranho e interessante, porque as respostas imunes costumam ser muito diversificadas na maioria das pessoas."

Isso era uma barreira para cientistas que pretendiam usar esses anticorpos como inspiração para produzir uma vacina. Sem saber a origem das moléculas, era difícil saber como "provocar" o sistema imunológico da maneira correta para produzi-las.

Agora, além de ter uma pista sobre como o corpo começa a produzir essas moléculas, Nussenzweig e colegas conseguiram determinar melhor como elas são.

Ao analisar com detalhe a estrutura de um dos anticorpos obtidos, viram que ele é capaz de atacar o calcanhar-de-aquiles do vírus: o pedaço da carapaça do HIV que se gruda nas células humanas antes de atacá-las.

Se pesquisadores descobrirem a molécula do vírus que desencadeia a produção desse anticorpo, isso poderia ser traduzido em uma vacina.

"Estamos tentando achar outros anticorpos com essa característica, porque talvez seja preciso mais de um para isso", diz o cientista.

A produção de uma vacina a partir dessa ideia ainda pode estar muitos anos à frente, mas a descoberta anunciada hoje pode ganhar outro tipos de aplicação. Segundo Nussenzweig, usando engenharia genética é possível clonar os superanticorpos para usá-los diretamente como agentes terapêuticos.

"Os anticorpos que identificamos são mais potentes do que os que já eram conhecidos e são muito abrangentes, capazes de reconhecer 90% das linhagens de HIV registradas", diz. "Não sabemos ainda se o uso direto dessas moléculas pode ajudar em terapia para soropositivos, mas é possível que sim."


Fonte: Folha de São Paulo
Jornalista: Rafael Garcia
Enviado pelo jovem: João Geraldo Netto


quinta-feira, 14 de julho de 2011

Infecções pelo HIV em jovens tem caido nós países mais afetados

Campanha 2010 do Ministério da Saúde com jovens
A infecção pelo HIV nos jovens entre os 14 e os 25 anos caiu mais de 25 por cento em 15 dos 25 países mais afetados pela epidemia, sobretudo na África Subsariana, segundo um relatório divulgado nesta terça-feira, dia 12.

De acordo com o relatório anual da UNAIDS, citado pela Lusa, a agência das Nações Unidas de luta contra a AIDS, na Costa do Marfim, Etiópia, Quênia, Malawi, Namíbia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabue, a diminuição tem sido acompanhada por mudanças positivas nos comportamentos sexuais.

Também no Burundi, Lesoto, Ruanda, Suazilândia, Bahamas e Haiti, os jovens diminuíram o número de parceiros, utilizam mais vezes preservativo e esperam mais tempo para iniciar a sua vida sexual.

Apesar destas alterações positivas, ainda há cerca de cinco milhões de jovens infectados com HIV.

O relatório aponta ainda que trinta anos depois da descoberta da epidemia, pelo menos 60 milhões de pessoas foram infectadas e 25 milhões morreram em consequência de complicações originadas pelo contágio.

Além disso, dos 33,4 milhões de pessoas que vivem atualmente com o vírus, metade são mulheres.

Entre os dados favoráveis, a UNAIDS relata que a epidemia estabilizou-se na maior parte das regiões, apesar de os índices continuarem a subir no leste da Europa e no centro da Ásia, devido às elevadas percentagens de novas infecções.

A África Subsariana continua a ser a região mais afetada do planeta, já que, em 2008, registou 71 por cento das novas infecções mundiais.

O acesso das mulheres aos preservativos femininos aumentou, de forma exponencial, com um número recorde de 50 milhões em 2009.

"Estamos num momento crucial para podermos criar um novo enfoque de luta contra a AIDS", apontou o diretor executivo da UNAIDS, durante a apresentação do documento.

A agência pede ainda mais dinheiro para combater a epidemia. Em 2008, foram gastos 15 bilhões de dólares (11,7 bilhões de euros) com o HIV, sendo que, metade deste valor, proveniente dos Estados Unidos.


Fonte: Site tvi24
Enviado pelo jovem: João Geraldo Netto
Esse texto passou por adaptações para o português brasileiro

Ativistas denunciam desabastecimento de antirretroviral em SP e RJ

Ativistas denunciaram nesta quarta-feira o desabastecimento do antirretroviral Fosamprenavir nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. O medicamento é importado e passou a ser fornecido pelo Ministério da Saúde há quatro anos em substituição ao Amprenavir por ter uma melhor comodidade posológica, facilitando a adesão ao tratamento da aids.

“É mais um problema de distribuição de medicamentos”, enfatizou o Presidente do Fórum de ONG/Aids do Estado de São Paulo, Rodrigo Pinheiro.

No Rio de Janeiro, onde a situação é mais grave, o representante da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e Aids (RNP+) no Estado, William Amaral, disse estar preocupado. “Há muito tempo pedimos ao Departamento de Aids (do Ministério da Saúde) um estoque regulador de medicamentos, mas só temos a informação quando falta o remédio na ponta. Estamos mais uma vez de calças curtas com essa condição”, comentou.

O coordenador-adjunto do Programa de DST/Aids do Estado de São Paulo, Artur Kalichman, informou que o Fosamprenavir está sendo distribuído de maneia fracionada no Estado há cerca de 20 dias. “Como percebemos que o estoque já estava pequeno, começamos a remanejar alguns lotes do medicamento pelas unidades de distribuição no Estado”, explicou.

Artur disse que o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde já está sabendo da escassez do remédio no Estado. “Fomos informados que a situação será regularizada nos próximos dias”, disse.

Ativistas que lutam em defesa das pessoas com HIV e aids no Rio de Janeiro disseram ter sido informados pelo Ministério da Saúde que a previsão de chegada do medicamento a Brasília será nesta sexta-feira e na cidade do Rio na próxima terça-feira, 19 de julho.

A Assessoria de Imprensa do Ministério da Saúde foi contactada, mas até o momento não se pronunciou sobre o problema.


Fonte: Redação da Agência de Notícias da Aids
Enviado pela jovem: Rafaela Queiroz


segunda-feira, 11 de julho de 2011

Recursos extras de quase R$ 800 milhões para a atenção básica

Alexandre Padilha
Brasília - O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, assinou, neste sábado, uma série de portarias que preveem recursos extras no valor de R$ 769 milhões para a atenção básica. Entre as medidas previstas está a criação do Programa de Melhoria do Acesso e Qualidade da Atenção Básica, que determina melhor remuneração pelo bom desempenho das equipes. Um dos componentes de avaliação será a satisfação do próprio usuário.

Durante a abertura do 27º Congresso do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems), Padilha afirmou que o objetivo do governo é melhorar o atendimento primário e, assim, desafogar hospitais e pronto-socorros. Segundo ele, cerca de 80% dos pacientes podem ser tratados adequadamente em postos de saúde.

“Estamos dispostos a dobrar o valor que repassamos para a equipe que atende na unidade básica de saúde, desde que ela se enquadre em um programa de monitoramento de indicadores”, explicou. Segundo Padilha, serão fiscalizados índices que incluem o número de consultas realizadas, o tempo de espera para atendimento, o acompanhamento dos pacientes e a implementação de ações de prevenção.

A ideia é emitir certificados de desempenho feitos de acordo com análises de instituições de ensino e pesquisa e por gestores municipais, estaduais e federais. A expectativa da pasta é que 20% das equipes de atenção básica se cadastrem ainda este ano no programa.

Outra portaria assinada durante o encontro cria uma espécie de pontuação para adequar a distribuição de recursos na atenção básica, o que, segundo o ministério, vai garantir aos municípios mais carentes um financiamento diferenciado. Outra medida anunciada trata da reforma e ampliação das atuais 36,8 mil unidades básicas de saúde (UBS) e da conclusão de um censo para verificar as condições de funcionamento das unidades.


Fonte: Agência Estado
Enviado pela jovem: Rafaela Queiroz

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Relatório da ONU sobre Objetivos do Milênio revela aumento do financiamento ao combate da aids

O relatório também diz que novas infecções pelo HIV diminuíram constantemente no mundo, principalmente na África subsaariana. Em 2009, cerca de 2,6 milhões de pessoas foram infectadas pelo vírus – uma queda de 21% desde 2007, quando houve o pico de novas infecções.

Confira a seguir um resumo do relatório

Avanços significativos para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) foram feitos, ainda que a meta de cumprir todos os Objetivos até 2015 continue sendo um prazo desafiador, porque os países mais pobres do mundo estão sendo deixados para trás

O Relatório dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio 2011, lançado nesta quinta-feira (07) pelo Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, diz que há razões para celebrar, já que grandes sucessos foram alcançados desde que líderes mundiais em 2000 estabeleceram os Objetivos para reduzir a pobreza extrema, a fome, o analfabetismo e as doenças.
O Relatório dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio 2011 destaca sucessos no desenvolvimento, afirmando que muitos se devem ao crescimento econômico contínuo em alguns países em desenvolvimento e aos esforços direcionados em áreas críticas dos ODM, como a saúde. O aumento do financiamento por várias fontes, afirma o documento, aumentou em programas-chave como o do tratamento para pessoas com HIV/aids.

Dirigir-se para um caminho mais sustentável é essencial para conquistar os ODM, disse Ban. Ecossistemas devem ser protegidos para apoiar o crescimento contínuo e os ambientes naturais. A Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável de junho de 2012, que será realizada no Rio de Janeiro e é frequentemente referida como Rio+20, oferece uma grande oportunidade para os novos progressos.

Progressos significativos citados
  • Novas infecções de HIV diminuíram constantemente. Em 2009, cerca de 2,6 milhões de pessoas foram infectadas pelo HIV – uma queda de 21% desde 2007, quando houve o pico de novas infecções.
  • O número de pessoas recebendo terapia antirretroviral para HIV/AIDS aumentou 13 vezes de 2004 a 2009, graças ao aumento de financiamento e à expansão de programas.
  • Aproximadamente 1,1 bilhão de pessoas em áreas urbanas e 723 milhões de pessoas em áreas rurais ganharam acesso a melhores fontes de água potável no período entre 1990 e 2008.
  • O mundo como um todo ainda está no caminho para alcançar a meta de redução da pobreza e, até 2015, a taxa de pobreza global deve cair para menos de 15% – bem abaixo dos 23% estimados – apesar dos contratempos das recentes crises econômicas, de alimentos e energética.
  • Alguns dos países mais pobres fizeram grandes avanços na educação. Por exemplo, Burundi, Madagascar, Ruanda, Samoa, São Tomé e Príncipe, Togo, Tanzânia alcançaram, ou estão próximos, do objetivo da educação primária universal. O número de mortes de crianças com menos de cinco anos diminuiu de 12,4 milhões, em 1990, para 8,1 milhões em 2009, o que implica em quase 12 mil mortes de crianças a menos a cada dia.
  • Mais financiamento e esforços intensos diminuíram as mortes por malária em 20% em todo o mundo – de quase 985 mil, em 2000, para 781 mil em 2009.

Não alcançando os mais vulneráveis

O progresso, no entanto, tem sido desigual e ainda há muitas pessoas sendo deixadas para trás, observa o Relatório. Apesar dos principais avanços, grandes lacunas permanecem entre e dentro dos países, e os esforços devem ser intensificados.

“O progresso tende a ignorar aqueles que estão nos patamares mais baixos da hierarquia econômica ou são desfavorecidos de alguma maneira por causa de seu gênero, idade, deficiência ou etnia”, disse Ban. “E as disparidades entre as áreas rural e urbana permanecem assustadoras.”

O Relatório mostra que as crianças mais pobres fizeram os progressos mais lentos em termos de melhoria na alimentação e sobrevivência. Em 2009, quase um quarto das crianças no mundo em desenvolvimento estavam abaixo do peso, sendo as crianças mais pobres as mais afetadas. Crianças de famílias pobres nos países em desenvolvimento têm mais do dobro do risco de morrer antes do quinto aniversário do que as crianças nascidas em famílias ricas.

Redação da Agência de Notícias da Aids
Enviado pelo jovem: José Rayan

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Atenção aos vulneráveis

Bo Mathiasen
Muito se tem falado sobre o crack. A droga está cada vez mais presente nas ruas. A preocupação dos governos para entender os efeitos, os fluxos da cocaína e do crack é crescente. Uma questão, no entanto, vem recebendo pouca atenção. Trata-se da vulnerabilidade dos usuários de crack ao HIV e a outras doenças infectocontagiosas como tuberculose, hepatites e infecções transmitidas sexualmente de um modo geral.

No final dos anos 80 e início dos 90, o Brasil foi protagonista no desenvolvimento de estratégias inclusivas ao promover ações de redução de danos entre usuários de drogas injetáveis, que então constituíam um dos grupos mais vulneráveis à transmissão do HIV por via sanguínea. O resultado foi um decréscimo de 72,6% do número absoluto de casos de Aids associados ao uso injetável de drogas entre 1996 e 2006. Foi necessário que o enfoque não fosse a droga, mas o usuário. Hoje, o país enfrenta um novo desafio: a vulnerabilidade dos usuários de crack.

Surgido nos anos 80, o crack é um derivado da cocaína, com alto poder de criar dependência e que apresenta consequências devastadoras para a saúde do usuário. O baixo custo da pedra, comercializada às vezes por apenas R$ 5, faz com que qualquer pessoa tenha acesso à droga.

Diferentemente de outras substâncias, o consumo problemático do crack é diário e ocorre até o esgotamento físico, psíquico ou financeiro do usuário. Os usuários de crack consomem em média entre 6 e 10 pedras por dia e, quando em grupo, compartilham o “cachimbo” e até mesmo a fumaça para economizar no consumo da droga.

Pedro Chequer 
Estudos demonstram os fatores de vulnerabilidade dos usuários de crack em relação ao HIV: práticas sexuais sem proteção, associadas a um número elevado de parceiros; a troca de sexo por dinheiro ou mesmo pela droga; o baixo nível de instrução dos consumidores; a substituição do uso exclusivo pelo uso de múltiplas drogas; e a baixa imunidade colocam o usuário em situação ainda mais vulnerável.

Esta relação com a droga, potencializada pela situação de rua, tem tornado o usuário de crack alvo de estigmatização, preconceito e marginalização, fragilizando todos os laços sociais que poderiam oferecer alternativas.

Dados demonstram as proporções que o problema pode atingir. Na década de 90, estudo realizado em Nova York evidenciou a alta prevalência de HIV entre mulheres usuárias de crack — 21% delas eram soropositivas.

Outro estudo, também realizado nos anos 90, em Houston, nos Estados Unidos, com usuárias de crack que apresentavam comportamento sexual de risco mostrou altas taxas de infecções sexualmente transmitidas: 11,3% positivas para HIV; 14,9% para sífilis e 53,3% para hepatite B.

Já no Brasil, um estudo publicado em 2004 sobre o comportamento de risco de mulheres usuárias de crack em relação às DSTs/Aids revelou uma prevalência de 20% para o HIV.

A vulnerabilidade dos usuários de crack ao HIV e a outras doenças infectocontagiosas como a tuberculose e as hepatites é evidente. Os estudos e a própria experiência mostram que é preciso agir rapidamente para evitar a propagação dessas doenças entre os usuários de crack.

As vulnerabilidades associadas ao uso do crack demandam o desenvolvimento de novas estratégias e de métodos de prevenção do HIV, da tuberculose, das hepatites e outras DSTs.

Nessa perspectiva, é importante a implementação de estratégias cientificamente fundamentadas para o equacionamento do problema. O estabelecimento de serviços que disponham de equipe qualificada, nos quais o acolhimento e o respeito ao paciente, não como mero cliente ou usuário, mas como cidadão, devem ser aspecto intrínseco da rotina estabelecida. Por outro lado, serviços e ações que efetivamente apresentem cobertura de abrangência nacional e de acessibilidade compatíveis.

Os tempos mudaram, o perfil do uso de drogas mudou, os desafios são outros, mas o objetivo deve ser o mesmo: prevenir e reduzir o consumo de drogas e minimizar os riscos e as vulnerabilidades à saúde de usuários por meio de serviços de atenção integral.


BO MATHIASEN é representante do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) para o Brasil e Cone Sul. PEDRO CHEQUER é coordenador do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS) no Brasil.


Por: Bo Mathiasen e Pedro Chequer
Fonte: O Globo
Data: 6 de Julho de 2011
Envida por: Kleber Fábio