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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

II Encontro de Jovens Gays e Travestis debate a campanha do Dia Mundial Contra a AIDS


A Aids não tem preconceito, esse é o mote da campanha de 01 de dezembro, Dia Mundial de Luta contra a Aids, realizada pelo Departamento Nacional de DST/aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde. A campanha será lançada durante a Conferência Nacional de Saúde, de 30 de novembro a 04 de dezembro de 2011, em Brasília.

O assunto foi discutido hoje, na primeira mesa de debates do II Encontro Nacional de Jovens Gays, outros HSH e Travestis, em São José do Rio Preto, São Paulo. Participaram do debate o Diretor Adjunto do Departamento Nacional de DST/aids e Hepatites Virais, Eduardo Barbosa, Toni Reis, presidente da ABGLT, Jean Dantas, pelo Programa Estadual de DST/aids de São Paulo e Kleber Mendes, da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/aids.

No debate, o tema da campanha de prevenção de 01 de dezembro, a implementação do Plano de Enfrentamento da Epidemia de HIV/aids entre Gays, outros HSH e Travestis e equipamentos de promoção da testagem rápida em HIV/aids.

O projeto Quero Fazer, um piloto de oferecimento da testagem gratuita do HIV em funcionamento em três cidades do país, Recife, Rio de Janeiro e Brasília foi apresentado e debatido. Toni Reis, presidente da ABGLT, defende a criação desses equipamentos. "A testagem tem que ser oferecida no cotidiano das pessoas". A iniciativa se mostra necessária quando se leva em consideração o percentual de casos de diagnóstico tardio de HIV que, segundo Eduardo Barbosa, gira em torno de 48%.

A abertura do encontro, hoje, contou com a presença do presidente do Conselho Nacional de Juventude, Gabriel Medina. Cerca de 80 jovens representando 23 estados da federação participam do encontro, que é organizado pela Associação de Populações Vulneráveis, com apoio do Departamento Nacional de DST/aids, Programa Estadual de DST/aids de São Paulo, ABGLT - Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais e RNAJVHA - Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/aids.


Fonte: 180 Graus
Enviado por: João Geraldo Netto

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Jovens infectados pelo HIV contam como lidam com a Aids e com o preconceito

A infecção por HIV entre jovens de 13 a 19 anos está se espalhando pelo Brasil.

De 1991 a 2009, aumentou em 53% o número de municípios com casos da doença nessa faixa etária.

São dados de uma pesquisa que será divulgada na quarta-feira, Dia Mundial de Luta Contra a Aids, pelo Ministério da Saúde. O número foi obtido com exclusividade pelo Folhateen.

O governo vai lançar também nessa data uma campanha de conscientização voltada à discriminação sofrida por jovens com o vírus.

A iniciativa busca evitar situações como a vivida pela paulista Natasha Braz, 17, que nasceu com a doença.

"Um grupo de meninas da escola começou a gritar para ninguém ficar perto de mim, para não pegar Aids", diz.

O vírus, porém, não é transmitido por proximidade física, e, sim, por sexo desprotegido ou por transfusão de sangue contaminado.

O paranaense Fabrício Stocker, 20, foi infectado pelo vírus no ano passado, ao transar sem camisinha.

"Eu achava que não aconteceria comigo", diz. "A gente assume os riscos, pensa que é o Superman."

O baiano Oséias Cerqueira, 22, também contraiu o vírus aos 19 anos, por sexo.

Na época, ele decidiu não contar a todos sobre a doença. "As pessoas não estão preparadas para saber, culpam você por ter HIV", diz.

O HIV é frequentemente associado a homossexuais com muitos parceiros, apesar de os dados oficiais mostrarem que há mais infecções entre jovens heterossexuais.

"Não precisa contar para transar, desde que você use camisinha", afirma Oséias. "É uma coisa do foro íntimo."

Amanda Cristina, 18, age diferente com os namorados. "Deixo claro desde o começo." A garota, que adquiriu o vírus da mãe, conta que usa camisinha inclusive para sexo oral (leia mais aqui).

Ao esconder a doença, Oséias não podia explicar aos colegas da faculdade o real motivo dos vômitos durante as aulas, causados pelo tratamento para controlar o vírus e manter alta a resistência de seu organismo.

A combinação de remédios necessária é apelidada de "coquetel" e pode causar também diarreias e dores de cabeça. Essas reações podem desmotivar jovens a se tratar.

"É muito difícil tomar os medicamentos, e você pode ter de usá-los pelo resto da vida", diz Kleber Mendes, 27, soropositivo e idealizador da Rede Nacional de Jovens Portadores de HIV. "Isso nos torna mais responsáveis do que a maior parte dos jovens."

"Precisa de vontade para continuar o tratamento", diz José Rayan, 18, de Manaus. "Sofri muito, mas meu organismo se adaptou."

Usar as medicações foi uma questão de sobrevivência para Hugo Soares, 23, de Belém. Após passar anos com a saúde debilitada, ele fez exame de sangue aos 21 anos. Descobriu ter Aids.

"Meus pais me diziam que era besteira fazer o teste", afirma o rapaz, que acredita ter sido infectado por volta dos 16 anos. "Resolvi fazer por contra própria", diz.

Hoje, após aderir ao tratamento, Hugo está com a saúde estável. Mas o vírus ainda o afeta de outras maneiras.

"Eu estava concorrendo a uma vaga de emprego e apareci em um jornal local como portador de HIV", diz. "De repente, não havia mais vaga."

"ACHEI QUE NUNCA ACONTECERIA COMIGO"

"Aos nove anos de idade, uma médica me disse que eu tinha um bichinho na ponta do dedo e que ele ia me secar se eu não me alimentasse direito. Era HIV", Amanda Cristina, 18
"Meus pais tinham medo de que os vizinhos soubessem. Mas vi que, quanto mais eu me escondesse, mais preconceito haveria", Fabrício Stocker, 20

"Para quem está no início do tratamento, é muito ruim. Sofri muito, mas meu organismo se adaptou. Hoje, não sinto nada", José Rayan, 18



Matéria publicada em 29 de Novembro de 2010
Fonte: Folha de São Paulo
Editoria de Arte: Folhapress
Enviado pelo jovem: João Geraldo da Silva Netto