Mostrando postagens com marcador antirretrovirais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador antirretrovirais. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 20 de março de 2012

HIV: remédio infantil será testado em humanos


As crianças brasileiras com até 13 anos que vivem com HIV/Aids terão em breve um antirretroviral infantil, de administração mais simples. O medicamento está sendo desenvolvido há três anos pela Farmanguinhos, unidade técnico-científica da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

A previsão é que o medicamento já esteja pronto para fabricação em 2015, mas os testes em humanos devem começar no segundo semestre deste ano, em seis centros de pesquisas nos estados de Minas Gerais, do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Em vez de três, a criança poderá tomar somente um comprimido, que terá uma formulação adocicada, de sabor agradável, para disfarçar o gosto amargo original do remédio. Além disso, o comprimido será dispersível, para ser dissolvido na água.

Combinação
Segundo a farmacêutica do Departamento de Pesquisas Clínicas da unidade, Marli Melo da Silva, que participa da coordenação do estudo clínico, a combinação também reduz os custos operacionais no processo produtivo, e fica mais fácil dispensar, transportar, armazenar e administrar o medicamento.

"Outra vantagem é que essa formulação dispersível dá mais garantia sobre a dose de princípio ativo, ao contrário do que ocorre quando se divide comprimidos para as crianças", disse a pesquisadora, que explicou também que, hoje, as drogas prescritas para a população infantil são as mesmas ministradas em adultos, sendo a diferença a diminuição da dosagem, que varia de acordo com o peso, sem considerar a complexidade do metabolismo dos pacientes pediátricos.

O medicamento combinará em um único comprimido três princípios ativos – a lamivudina 30 miligramas + zidovudina 60 miligramas + nevirapina 50 miligramas. A medicação será dissolvida em uma pequena quantidade de água para ser ingerida.

Distribuição
Atualmente, o SUS (Sistema Único de Saúde do Brasil) distribui 16 tipos de antirretrovirais para os pacientes infantis, que variam em apresentação farmacêutica e concentração de acordo com a faixa etária. A maioria dessas drogas não foi estudada em populações pediátricas e somente tem registro na Anvisa para adultos ou crianças acima de determinadas idades.

Dados preliminares, divulgados pelo Ministério da Saúde em 2010, revelam que de 1980 a 2010 o Brasil registrou aproximadamente 14 mil casos de HIV em indivíduos menores de 13 anos.

Atualmente, estima-se que cerca de 4 mil crianças nessa faixa etária estejam em terapia antirretroviral. Ainda segundo o ministério, esses números têm caído gradualmente ao longo dos últimos cinco anos. Em todo o mundo, há aproximadamente 2,5 milhões de pessoas menores de 15 anos vivendo com o vírus HIV.


Fonte: Band.com
Por: Agência Brasil
Enviado por: João Geraldo Netto

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Série Qualidade de Vida - Terapias complementares

Além do tratamento existente com os remédios antirretrovirais, exercícios físicos e alimentação equilibrada, há algumas práticas que o soropositivo pode adotar que melhoram a saúde e a autoestima. As chamadas terapias complementares estão disponíveis nas unidades públicas de saúde de todo o país e devem ser indicadas por profissionais e avisadas ao médico.

Apesar de fazerem bem à saúde, não podem substituir os medicamentos, pois não combatem a aids. Essas terapias são muito utilizadas para reduzir o estresse e os efeitos colaterais dos coquetéis, melhorar o sistema imunológico, aliviar a dor e auxiliar no tratamento de infecções oportunistas. As mais comuns são: acupuntura, homeopatia, massagens (shiatsu e reflexologia), práticas físicas (yoga e Tai Chi Chuan), além do consumo de algumas ervas medicinais.

Acupuntura

A técnica milenar da medicina chinesa consiste em estimular, com finas agulhas, determinados pontos do corpo por onde a energia circula. Vem sendo muito utilizada entre soropositivos para minimizar efeitos colaterais como enjoos, náuseas, vômitos e dores em geral. No Brasil, é reconhecida como especialidade médica há quase uma década.

Homeopatia
Não trata nenhuma doença específica, mas combate as causas dos sintomas. Esses remédios estimulam as forças internas do organismo e os processos de manutenção e recuperação da saúde. Criada em 1796, pelo médico alemão Samuel Hahnemann, foi reconhecida como especialidade médica no Brasil, em 1980, pelo Conselho Federal de Medicina.

Shiatsu
Utiliza os mesmos pontos e princípios da acupuntura e a pressão é feita com a polpa dos dedos. Os benefícios são: melhora do sistema circulatório, maior flexibilidade aos músculos, recuperação do equilíbrio do sistema ósseo, melhor funcionamento do sistema digestivo e maior controle do sistema endócrino. Também ajuda a tratar o estresse, dores de cabeça e musculares e artrite. Deve ser evitada em pessoas com inflamações, febre, anemias ou que estejam debilitadas fisicamente. Quem sofre de osteoporose pode fazer, mas com toques leves, já que os ossos já estão frágeis. Essa massagem é tradicionalmente do Japão, criada em 1925., mas tem suas raízes na milenar medicina chinesa.

Reflexologia
É uma prática da Medicina Natural que consiste na aplicação de pressões rítmicas em pontos localizados nos pés e nas mãos, que correspondem às diferentes zonas do corpo. Ajuda a recuperar o bem-estar; a aliviar o estresse, a angústia, a depressão, a ansiedade, a dor de cabeça, a síndrome pré-menstrual, a asma, os problemas digestivos, entre outros. Deve ser evitada em caso de gravidez, pois a pressão em certos pontos reflexos dos pés pode levar a contrações uterinas.

Ervas medicinais
São muito utilizadas em todas as regiões do país e estão sendo implantadas no Sistema Único de Saúde (SUS). São usadas em substituição a alguns medicamentos industrializados. Mas devem ser consumidas com cuidado, pois algumas são proibidas para quem toma remédios antiaids.

Apesar de beneficiarem pessoas saudáveis, a Erva de São João (Hipérico), o Kava Kava e o óleo de alho em cápsulas podem comprometer o tratamento e pode causar a resistência do vírus ao tratamento. O importante é sempre conversar com o médico sobre as alternativas de terapias complementares e nunca se automedicar. Saiba mais sobre a reação dos remédios com algumas ervas.


Fonte: Site do Ministério da Saúde
Enviado por: João Geraldo Netto

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Uso de antirretrovirais em gestantes

A taxa de transmissão do HIV de mãe para filho durante a gravidez, sem qualquer tratamento, pode ser de 20%. Mas em situações em que a grávida segue todas as recomendações médicas, a possibilidade de infecção do bebê reduz para níveis menores que 1%. As recomendações médicas são: o uso de remédios antirretrovirais combinados na grávida e no recém-nascido, o parto cesáreo e a não amamentação.

O uso de medicamentos durante a gravidez é indicado para quem já está fazendo o tratamento e para a grávida que tem HIV, não apresenta sintomas e não está tomando remédios para aids. Nesse caso, o uso dos remédios antiaids pode ser suspenso ao final da gestação. Essa avaliação dependerá os exames de laboratório (CD4 a Carga Viral) e de seu estado clínico e deverá ser realizada, de preferência, nas primeiras duas semanas pós-parto, em um serviço especializado (SAE).

Diagnóstico durante o pré-natal
A testagem para HIV é recomendada no 1º trimestre. Mas, quando a gestante não teve acesso ao pré-natal adequado, o diagnóstico pode ocorrer no 3º trimestre ou até na hora do parto. As gestantes que souberem da infecção durante o pré-natal têm indicação de tratamento com os medicamentos para prevenir a transmissão para o feto. Recebem, também, o acompanhamento necessário durante a gestação, parto e amamentação. A mãe que tem o vírus não deve amamentar o bebê, porque há risco de transmissão do vírus da mãe para o filho.

Gravidez depois do diagnóstico
Além de ser um direito garantido por lei, as mulheres soropositivas podem ter uma gravidez tranquila, segura e com muito baixo risco de que seu bebê nasça infectado pelo HIV, caso faça o correto acompanhamento médico e siga todas as recomendações e medidas preventivas explicadas acima.


Fonte: Site do Ministério da Saúde
Enviado por: João Geraldo Netto

sábado, 17 de setembro de 2011

Apesar de avanços, tratamento da aids ainda é difícil, avaliam ativistas

Juçara Portugal
Juçara Portugal, representante da Comunidade Internacional de Mulheres Vivendo com HIV (ICW) no Brasil, usa antirretrovirais desde 1992. Ela já passou por diferentes esquemas terapêuticos. “Essas novidades que aparecem com a junção de remédios são muito importantes, pois melhoram a adesão ao tratamento”, disse.

A ativista ressaltou também que atualmente os remédios são administrados de forma mais personalizada, levando em consideração outros aspectos da pessoa que tem HIV, como a possibilidade de coinfecção com outro vírus.

Porém, segundo a militante, falta esclarecimento para a população de que é possível viver com HIV e não precisar usar remédios no período chamado assintomático. “As pessoas associam HIV a medicamentos.

O integrante da diretoria do Grupo de Incentivo à Vida (GIV), de São Paulo, Hugo Hagström disse durante entrevista especial sobre os 30 anos da epidemia que tem observado um grande avanço científico na área de tratamento. “Eu cheguei a tomar 32 comprimidos. Hoje, ainda tomo 21, mas porque estou em terapia de resgate e porque além da aids, faço tratamento para outras doenças oportunistas, mas tem gente que toma três ou quatro por dia”, comentou Hugo, que vive com HIV e aids há 26 anos.

Contudo, Hugo ressalta que os efeitos colaterais ainda são muito severos. “Como a lipodistrofia (acúmulo ou escassez de gordura em partes específicas do corpo), que atinge, em especial, as mulheres. Tenho amigas que estão com corpos masculinizados. Isso para a auto-estima delas é terrível. O campo da ciência ainda tem muito a evoluir no tratamento voltado ao gênero.


Fonte: Agência de Notícias da Aids
Enviado por: João Geraldo Netto

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Saiba mais sobre os anti-retrovirais

O tratamento anti-retroviral conta com 15 medicamentos divididos em três classes: os inibidores de transcriptase reversa análogos de nucleosídeos, os inibidores de transcriptase reversa não análogos de nucleosídeos e os inibidores de protease. Para combater o HIV, é necessário utilizar pelo menos dois medicamentos de classes diferentes. A maioria das pessoas toma três medicamentos anti-retrovirais, alguns tomam quatro. Diversas combinações podem ser feitas. Mas muitos medicamentos não podem ser utilizados juntos. Seu médico vai indicar o que é melhor para você.

Na tabela abaixo você vai encontrar recomendações da melhor maneira de utilizar os anti-retrovirais disponíveis no Brasil, seus efeitos colaterais mais importantes e dicas de como contornar os problemas que surgirem.
.
INIBIDORES DE TRANSCRIPTASE REVERSA
ANÁLOGOS DE NUCLEOSÍDEOS

ABACAVIR

Este medicamento pode causar uma grave reação alérgica em até 5% das pessoas. Por isso, antes de começar a tomá-lo, converse com seu médico sobre o seguinte procedimento de segurança: se logo após começar a terapia com o Abacavir você sentir dor abdominal e febre, interrompa todos os anti-retrovirais que você está tomando por dois dias. Se a dor e a febre passarem, fica comprovado que elas foram provocadas pelo Abacavir. Nesse caso, você não pode mais tomar este medicamento.

DIDANOSINA
Deve ser diluído em meio copo de água ou mastigado e ingerido em jejum de 1 hora antes e meia hora depois de tomar o medicamento. A Didanosina não deve ser tomada junto com os inibidores de protease, principalmente o Indinavir e o Ritonavir.

Este medicamento pode causar diarréia e náuseas. Para contornar esse problema, experimente tomar outras formulações de Didanosina. Em longo prazo, pode causar problemas no pâncreas, principalmente em pessoas que ingerem bebidas alcoólicas.

ESTAVUDINA
Pode provocar inflamação nos nervos periféricos (chamada neuropatia periférica), que se manifesta como uma dormência nas mãos e nos pés. Uma boa forma de contornar esse problema é através da acupuntura.

LAMIVUDINA
Quase nunca provoca efeito colateral importante.

ZALCITABINA
É um medicamento pouco usado. Pode causar neuropatia periférica e aftas bucais.

ZIDOVUDINA
Seu efeito colateral mais importante é a anemia (redução dos glóbulos vermelhos no sangue), cujos sintomas são palidez, cansaço e tonteiras. Também pode provocar diminuição dos glóbulos brancos do sangue. É imprescindível realizar exames de sangue (hemograma) periodicamente para controle.

ZIDOVUDINA + LAMIVUDINA
Nessa formulação, os componentes de dois medicamentos foram colocados em um só remédio para facilitar sua administração.
.
INIBIDORES DE TRANSCRIPTASE REVERSA NÃO
ANÁLOGOS DE NUCLEOSÍDEOS

DELAVIRDINA

Este é um medicamento muito pouco usado. Apesar de ser menos freqüente, a Delavirdina pode causar a mesma reação alérgica provocada pela Nevirapina (Veja neste box).

EFAVIRENZ
Este medicamento pode provocar sintomas que atrapalham o rendimento diário como alterações de humor e sonolência, principalmente nas primeiras semanas. Por isso ingira-o preferencialmente antes de dormir. Tomá-lo longe dos horários das refeições é uma boa medida para evitar esse efeito colateral.

NEVIRAPINA
Seu maior inconveniente é provocar o aparecimento de pequenas manchas vermelhas na pele (rash). Isso pode ser evitado iniciando-se o medicamento de forma gradual: durante os primeiros 14 dias do tratamento, apenas 1 comprimido por dia; a partir do 15º dia, a posologia normal (1 comprimido de 12 em 12 horas).
.
INIBIDORES DE PROTEASE

A maioria dos inibidores de protease deve ser ingerida junto com algum alimento, pois assim é possível diminuir problemas gastrintestinais como enjôos e diarréia. A ingestão de alimentos também favorece a absorção desses medicamentos pelo organismo. Todos os inibidores de protease têm a tendência de alterar a quantidade de triglicerídeos e de colesterol no sangue. Eles também podem provocar mudanças na distribuição de gordura do corpo – a chamada lipodistrofia. Esses efeitos colaterais podem ser controlados com uma dieta saudável e exercícios.

AMPRENAVIR
A terapia com o Amprenavir exige muitas cápsulas por dia, mas, ao ser associado ao Ritonavir, o número de cápsulas diminui um pouco.

INDINAVIR
É o único inibidor de protease que deve ser ingerido em jejum (2 horas antes e 1 hora depois de tomar o medicamento). Ao ser usado junto com o Ritonavir, o Indinavir dispensa o jejum e reduz a quantidade de cápsulas e o número de tomadas no dia.
Para evitar a formação de cálculo renal e minimizar o ressecamento da boca causados por este remédio, beba, pelo menos, dois litros de água durante o dia.

NELFINAVIR
O Nelfinavir deve obrigatoriamente ser ingerido com alimentos para propiciar sua absorção e melhor tolerância gastrintestinal. Um copo de leite e um sanduíche são suficientes. Os médicos costumam receitar suplemento de cálcio para conter a diarréia provocada por este medicamento.

RITONAVIR
Necessita ser guardado na geladeira, mas não há problema em ficar alguns dias sem refrigeração. Não o deixe fora da geladeira por muitos dias, pois ele pode sofrer alterações químicas. Este medicamento pode provocar dormência ao redor da boca. Hoje, o Ritonavir é quase sempre usado, em pequenas doses, junto com um outro inibidor da protease para potencializar seu efeito.

RITONAVIR + LOPINAVIR
A assossiação com o Ritonavir permite que o Lopinavir atinja níveis elevados no sangue. Por isso este medicamento tem sido usado em pacientes que já apresentaram resistência a outros inibidores da protease.

SAQUINAVIR
Este medicamento deve ser sempre administrado junto com o Ritonavir.


Enviado por: João Geraldo Netto

Lipodistrofia: Saiba como prevenir e tratar

A lipodistrofia caracteriza-se pelas alterações na massa corpórea em pessoas soropositivas que estão passando pela Terapia Anti-retroviral Altamente Ativa (HAART), também conhecida como terapia de combinação ou coquetel.
.
Pode ocorrer aumento de gordura na região do abdômen/ventre (gordura central), entre os ombros, em volta do pescoço ou no tórax (especialmente em mulheres) ou perda de gordura da pele, mais aparente nos braços, pernas, nádegas e rosto, resultando em enfraquecimento da face, atrofiamento das nádegas e veias aparentes nas pernas e braços. Somente este tipo específico de perda de gordura está diretamente relacionado ao HIV. O aumento de peso pode ser causado por mudanças no metabolismo que também ocorrem em pessoas não infectadas.

O ganho central de gordura, que também interfere na alimentação, se dá no abdômen, tornando-o estufado e consistente. Além disso, essas mudanças podem vir acompanhadas por alterações no metabolismo - níveis de gordura e açúcar no sangue - e pelo aparecimento de pequenas alterações de gordura em algumas partes específicas do corpo, os chamados lipomas.

As transformações na gordura do corpo não aparecem apenas para piorar o estado de saúde do paciente no futuro. Elas podem ser irritantes e desconfortáveis. Mudanças persistentes no metabolismo do açúcar e da gordura, junto com aumento da gordura central, podem aumentar o risco de doenças cardíacas, especialmente se estiverem associadas a outros fatores de risco como o cigarro ou a predisposição genética. O que se deve buscar, portanto, é qualidade de vida.

Prevenindo e tratando as alterações na gordura do corpo

No momento, todas as estratégias de tratamento estão baseadas em pressuposições, já que ainda não é possível identificar as causas reais da lipodistrofia. Existem mais evidências de que as combinações baseadas no medicamento D4T podem aumentar o risco de perda de gordura. Também está claro que as pessoas que iniciam o tratamento com uma combinação que contém inibidores da transcriptase reversa não-análogo de nucleosídeo (ITRNN) parecem ter menos aumento de lipídio. A lipodistrofia pode ser adiada caso o soropositivo não inicie uma terapia de combinação, mas o risco de não estar passando por nenhum tratamento contra o HIV deve ser considerado, pois é fato que a perda de gordura é mais comum em pessoas que começam o tratamento com contagem de células CD4 abaixo de 200.

Lipodistrofia e mudança de tratamento

Não há uma evidência forte vinda de grandes estudos mostrando que mudar o tratamento com um inibidor de protease para uma combinação sem essa classe de droga diminui a perda de gordura do corpo. Pequenas melhoras no acúmulo de gordura abdominal apareceram em alguns estudos pequenos, mas a taxa de perda de gordura pode diminuir após essa mudança. Ainda é incerto que a perda seja interrompida, ou retomada, caso haja mudança de nucleosídeos análogos.

No entanto, alguns estudos têm mostrado que os níveis de lipídio, glicose e insulina normalmente caem após a mudança de um inibidor de protease para uma combinação baseada em ITRNN, especialmente neviparina. Mas vale lembrar que eles podem não retornar a níveis normais. Qualquer mudança no tratamento que possa melhorar as alterações na gordura do corpo ou os níveis de lipídios precisa ser balanceada contra as evidências claras de que pessoas que já usaram nucleosídeos e atingiram carga viral indetectável e, mais tarde, mudaram de um inibidor de protease para uma outra combinação, correm um grande risco de aumentar a carga viral novamente. Ou seja, se houver mudança no tratamento aumentam as chances do vírus tornar-se resistente e, então, estreitar as opções de tratamento no futuro. Mudar para uma nova combinação pode significar também o aparecimento de novos efeitos colaterais.

Interrupção do tratamento

Algumas pessoas escolhem interromper o tratamento com o objetivo de lidar com as alterações na gordura do corpo. No momento, não existem provas claras de que essa opção reverteria as alterações na gordura, mas os níveis de lipídio e insulina poderiam ser reduzidos em poucos meses. É importante estar ciente dos riscos de interromper o tratamento.

Se a Aids for diagnosticada antes do início da terapia de combinação, aumentam em cinco vezes as chances da carga CD4 cair ao nível de 200 células (o nível de risco para doenças futuras relacionadas à Aids) em relação aos casos em que os pacientes não tiveram Aids ou iniciaram o tratamento com um nível maior de células CD4. Interromper o tratamento com uma contagem de CD4 abaixo de 200 significa correr o risco de desenvolver doenças decorrentes da Aids imediatamente. Além disso, reiniciar o tratamento com a mesma droga pode não funcionar.

Tratando o ganho de gordura

Atualmente, não existe um tratamento que reverta todas as alterações na gordura do corpo. Algumas pessoas que interromperam o tratamento reportam melhoras, mas não voltam ao normal. Mudanças na dieta não apresentaram melhoras nas alterações de gordura no corpo; logo, comer menos parece não ajudar (mas isso pode contribuir para a redução dos níveis de colesterol). Ainda em fase de teste clínico, o hormônio de crescimento humano pode diminuir o acúmulo de gordura no abdômen e nos ombros. No entanto, efeitos colaterais como dores nas juntas, inchaço nas mãos e pés e surgimento de diabetes têm sido observados em algumas pessoas com lipodistrofia que receberam este tipo de tratamento.

Alguns esteróides anabólicos também estão sendo testados para o mesmo fim. O acúmulo de gordura na região abdominal em homens mais velhos tem sido relacionado à queda de testosterona. Os anabolizantes encorajam o crescimento do tecido de músculo na costa da gordura subcutânea e isso pode aumentar a taxa de perda de gordura no rosto e nos membros. Mas eles podem causar futuros aumentos no colesterol e ainda danificar o fígado.

Entre as alternativas para tratar a lipodistrofia em pessoas com HIV, a atividade física têm se mostrado uma boa opção. Exercícios de resistência, que definem os músculos e queimam os triglicérides estocados na gordura do corpo, associados a exercícios aeróbicos, ajudam a controlar essas transformações. Além disso, ambas as atividades fazem aumentar os níveis de colesterol HDL ("colesterol bom") e protegem contra doenças cardíacas. O ideal é, portanto, fazer uma combinação de exercícios aeróbicos (queima de oxigênio) como caminhadas, natação, ciclismo e até dança, e exercícios de resistência, como musculação.

Cirurgias plásticas e procedimentos estéticos

Nos casos de acúmulo de gordura, às vezes, a troca do esquema terapêutico, quando possível, e sempre por orientação do médico, pode trazer melhorias, levando à diminuição das gorduras dos seios e do abdomem. O excesso de gordura pode também ser tratado por procedimento cirúrgico ou lipoaspiração.

A perda de gordura da face tem sido muito valorizada ultimamente, pois compromete a estética, leva à diminuição da auto-estima e da qualidade de vida do paciente. No Brasil tem sido utilizado, por cirurgiões plásticos e dermatologistas, o implante facial com metacrilato com excelentes resultados, levando a uma melhora do estado psicológico do paciente.

O tratamento da perda de gordura no rosto consiste no preenchimento das áreas atrofiadas, podendo ser utilizados materiais preenchedores temporários ou permanentes. Os preenchimentos temporários consistem de auto-implante de gordura, ácido hialurônico, colágeno, e ácido polilático. Sua duração varia de 3 a 9 meses, de acordo com o material utilizado, e normalmente são utilizados em casos leves, ou em áreas onde o preenchimento permanente não pode ser utilizado.

O metacrilato, a poliacrilamida e o silicone são preenchedores permanentes, que em vários estudos tem demonstrado trazer melhores resultados, principalmente na relação custo/benefício. No Brasil, o mais utilizado é o metacrilato, pois além de se obter excelentes resultados estéticos e duradouros com este material, ele tem um custo menos elevado. O tratamento consiste de injeções, feitas paralelamente nas áreas atrofiadas. É um procedimento relativamente simples, mas que só deve ser realizado por profissional médico experiente e capacitado.

A correção destas alterações pode devolver ao paciente o aspecto normal, melhora sua auto-estima e permite uma convivência social mais tranqüila.

Técnicas para o preenchimento cutâneo

O preenchimento cutâneo é uma técnica utilizada na cirurgia plástica para a correção de sulcos, rugas e cicatrizes. Consiste na injeção de substâncias sob a área a ser tratada elevando-a e diminuindo a sua profundidade, com conseqüente melhora do aspecto. A técnica, desenvolvida por dermatologistas, pode ser realizada no consultório, sendo um procedimento rápido e que não necessita nem mesmo de anestesia. Se desejado, podem ser utilizados anestésicos tópicos, sob a forma de cremes, aplicados uma hora antes do procedimento, para atenuar a sensação da picada da agulha. A técnica já é bastante utilizada para a correção do sulco nasogeniano (aquele que se acentua com o sorriso) ou os sulcos ao redor dos lábios. Algumas das substâncias mais utilizadas são o ácido hialurônico, o colágeno e o metacrilato.

O ácido hialurônico é atualmente considerado um dos produtos mais seguros para a realização do preenchimento cutâneo. Apesar de ser produzido em laboratório, o ácido hialurônico é um componente natural da derme, segunda camada da pele, não causa alergias e dispensa testes prévios. A duração do preenchimento varia de 6 a 10 meses (Restylane) ou 10 a 16 meses (Perlane), sendo necessária nova aplicação após este período.

O colágeno é obtido a partir de animais (boi e porco) e necessita de 2 testes prévios para averiguar possível alergia ao produto. Precisa ser reaplicado a cada 6 meses pois também sofre reabsorção. Já o metacrilato é um preenchedor definitivo. Por não ser reabsorvido pelo organismo, seus resultados são duradouros e é mais utilizado para correção de sulcos profundos. Alguns produtos comerciais necessitam de teste prévio por conterem pequena quantidade de colágeno em sua fórmula.

Uma variação desta técnica é o auto-enxerto de gordura, na qual retira-se gordura de uma área do corpo onde esteja em excesso (através de lipoaspiração) e injeta-se sob a ruga elevando-a. Esta, porém, já é uma técnica mais trabalhosa que exige anestesia e outros cuidados para a obtenção do material gorduroso a ser injetado. Ideal para aqueles que desejam livrar-se de gorduras extras em áreas localizadas e vão se submeter a uma lipoaspiração. A gordura retirada será então aproveitada para o preenchimento cutâneo. Uma parte da gordura injetada é reabsorvida, porém boa parte dela permanece definitivamente no local. A técnica tem sido chamada de lipoescultura.

Sem cobertura

O maior problema é que os procedimentos para tratar a lipodistrofia ainda são considerados estéticos e raramente são cobertos pelos planos de saúde. Por sua vez, esse tipo de intervenção não está disponível das unidades do Sistema Único de Saúde que atendem Aids, com exceção de alguns poucos protocolos clínicos no Rio e em São Paulo. Esta é uma reivindicação antiga das ONGs/Aids, que levaram o problema à Conferência Nacional de Saúde, ocorrida em dezembro de 2003, conforme consta no relatório final do evento.

Fontes: NAM, ONG do Reino Unido especializada em informações sobre tratamentos do HIV/Aids; Sociedade Brasileira de Dermatologia; (coordenado pelo Dr. Roberto Barbosa Lima); Dr. Márcio Serra.

Uso do metacrilato: além da estética
por Márcio Serra*

A lipoatrofia facial continua sendo um dos mais marcantes efeitos adversos da infecção pelo HIV e tratamento com os anti-retrovirais. Hoje em dia sabemos, por exemplo, que os inibidores de transcriptase reversa, principalmente a estavudina (D4T), causam toxicidade às mitocôndrias das células de gordura, o principal mecanismo responsável pela perda do tecido adiposo periférico.

O uso do polimetilmetacrilato para tratamento da lipoatrofia facial, dos pacientes infectados pelo HIV com lipodistrofia, já apresenta cinco anos de acompanhamento e tem se mostrado um método seguro, relativamente simples, e de melhor relação custo benefício, quando comparado a outros preenchedores, permanentes ou não, utilizados para o tratamento da lipoatrofia facial, como o ácido polilático, ácido hialurônico, poliacrilamida, auto-transplante de gordura, e silicone (pela técnica de micro-gotas).

Os resultados cosméticos são excelentes, mas a grande vantagem do tratamento é que ajuda a resgatar a auto-estima dos pacientes, que, segundo seus depoimentos, voltam a se reconhecer ao espelho, conseguindo modificar seu quadro psíquico e, desta forma, adquirir uma melhora impressionante de sua qualidade de vida, acabando por auxiliar no tratamento anti-retroviral, pois ficam mais estimulados e passam a ter uma melhor adesão ao tratamento.

Atualmente, o Ministério da Saúde mantém um protocolo de pesquisa para tratamento da lipoatrofia facial com o metacrilato, do qual participará um total de 300 pacientes no Rio de Janeiro (HUCFF) e em São Paulo (HIER), para avaliação do método e posterior extensão do tratamento aos pacientes.

Mas, infelizmente, a lipoatrofia não ocorre somente na face, e a cada dia os pacientes se queixam cada vez mais do afinamento dos membros superiores e inferiores, visualização do arcabouço vascular das pernas, e da perda do tecido adiposo das nádegas que, por vezes, dificulta aos pacientes ficarem sentados por muito tempo. Esta alteração da morfologia corporal tem causado problemas sociais aos pacientes, principalmente às mulheres que sofrem uma masculinização de sua silhueta.

A lipoaspiração de áreas com acúmulo de gordura, como abdome, lipomas e gibas, com lipoenxertia das áreas atróficas, principalmente das nádegas, tem apresentado bons resultados, mas nem sempre o paciente possui áreas doadoras.

Há algum tempo, iniciei o preenchimento de outras áreas corporais além da face, como região interna das coxas, para diminuir a visualização das veias, área ao redor dos joelhos e nádegas com o polimetilmetacrilato. A técnica empregada tem sido retro-injeções em rede, e o resultado estético tem sido muito bom. A consistência do preenchimento nestas áreas é muito boa também. As únicas considerações a serem feitas, a princípio, são sobre o grande volume a ser empregado, 20 a 40ml por sessão, e o número de sessões, duas a quatro por área, tornando o procedimento caro e acessível somente a poucos.



* Márcio Serra é médico dermatologista, membro da Câmara Técnica de Aids do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj)

Mais informações: Blog Escolhi Viver,
Enviado por: João Geraldo Netto

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Estudo revela como HIV se esconde dos remédios anti-Aids

O HIV está conseguindo escapar da ação de drogas antirretrovirais porque é capaz de passar diretamente de uma célula para outra.

A conclusão é de um novo estudo do laboratório do biólogo David Baltimore, ganhador do prêmio Nobel de Medicina em 1975.

Realizando experimentos com culturas de células no Caltech (Instituto de Tecnologia da Califórnia), o grupo do cientista oferece uma explicação de por que o coquetel anti-aids reduz o número de vírus nos soropositivos, mas não cura a infecção.

Em geral, uma célula infectada se rompe e libera HIVs soltos no plasma sanguíneo.

Esses vírus vagam pelo sangue até encontrar outro linfócito T CD4+, a célula do sistema imune que o HIV ataca. É quando os vírus estão soltos que a droga age.

Baltimore e seus colegas, porém, mostraram que uma parcela menor da transmissão ocorre diretamente, de célula para célula, quando dois linfócitos entram em contato no sangue.

É nesses casos que os antirretrovirais falham. A infecção célula a célula não é tão frequente mas, quando ocorre, a quantidade de vírus transferida é grande.

Explorando essa brecha de segurança, o vírus consegue sobreviver como um reservatório latente dentro das células, mesmo quando o sangue está repleto de moléculas das drogas antirretrovirais.

Esperança Frustrada

"No início dos anos 1990, quando os inibidores de protease (primeira classe eficaz de droga anti-HIV) surgiram, os médicos estavam medindo o ritmo de queda da carga viral dos soropositivos e concluindo que, com tal redução, os pacientes estariam curados em alguns anos", disse à Folha Alex Sigal, cientista que coordenou o trabalho.

"Algumas pessoas vêm sendo tratadas com antirretrovirais por mais de 15 anos, mas, se você para de administrar a droga, o vírus volta."

Sigal descobriu o problema da transmissão célula a célula ao realizar um experimento em que cultivou linfócitos vivos num pires de laboratório para comparar os dois tipos de transmissão.

Quando as células estavam separadas, o efeito da droga sobre o HIV foi muito mais acentuado do que quando estavam juntas.

Segundo os cientistas, que descrevem o trabalho em um estudo publicado hoje na revista "Nature", a descoberta é também uma má notícia para a criação de uma vacina terapêutica anti-HIV. Esse preparado estimularia o sistema imune a atacar o vírus, mas sua ação se limitaria ao exterior dos linfócitos. A transmissão célula a célula seria um problema.

Mas há esperança de que isso não ocorra no uso preventivo de uma vacina, afirma Sigal. Se o organismo conseguir combater o vírus logo que ele entra, não haveria brecha para a formação de um reservatório.

Estudos de opções terapêuticas no laboratório de Baltimore, porém, já sofreram uma mudança de abordagem.

"Estamos buscando inibidores de infecção do HIV que não funcionam da mesma maneira que as drogas antirretrovirais", afirma Sigal.

"Essas novas drogas afetam a célula infectada. Assim, não importa quantos vírus estão dentro dela."


Fonte: Folha de São Paulo
Enviado por: João Geraldo Netto

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Uma geração de sobreviventes

Antirretrovirais atuais garantem
qualidade de vida aos soropositivos
Weverton Nonato, de 19 anos, em tratamento desde os 13: "Virou rotina tomar os comprimidos na hora certa e fazer exames de carga viral a cada seis meses"

Sorriso franco e músculos fortes, a aparência saudável do estudante de publicidade Weverton Nonato incorpora a nova feição da AIDS no Brasil. Perto de completar 20 anos, o jovem tem a idade da epidemia. Contraiu o vírus ao ser amamentado com leite contaminado, proveniente do banco da maternidade, quando nasceu prematuro, aos 6 meses, em 1991. Era o auge da epidemia, que chegou ao país em 1983, mas ainda não se sabia que a amamentação era capaz de transmitir o HIV. Assim como Weverton, já há pessoas convivendo com o vírus na corrente sanguínea há 20, 25 anos. Em vez de HIV positivos, os sobreviventes da AIDS preferem ser tratados apenas como "posithivos".

No Brasil, o diagnóstico de AIDS deixou de representar sentença de morte. Passou a haver remédio para a maioria dos casos, depois da distribuição universal do coquetel de medicamentos no país. Hoje, cerca de 200 mil pessoas fazem uso da terapia. Estima-se que igual número tenha a doença sem saber. Com a vida garantida, portadores que vêm sendo medicados enfrentam outros dramas, como contornar os efeitos colaterais dos remédios e, principalmente, vencer o preconceito.

"Graças aos ANTIRRETROVIRAIS, as pessoas hoje estão vivendo muito bem. Estão banalizando a epidemia, porque não viram o que aconteceu com a geração anterior", alerta o médico David Uip, de São Paulo, que diagnosticou o primeiro caso de HIV no país, em 1983. "Hoje já nem lembro que tenho AIDS. Virou rotina tomar os comprimidos na hora certa e fazer os exames para medir a carga viral a cada seis meses", revela o estudante de publicidade. Desde os 13 anos Weverton faz uso da tríplice combinação que compõe o coquetel.

Para preservar a saúde, ele se alimenta bem, pratica musculação e, principalmente, mantém a autoestima elevada. Nos portadores de HIV, assim como no caso de outras doenças, a depressão abre portas para doenças oportunistas. Com a descoberta da doença por Weverton, veio uma novidade anunciada pela médica dele em plena fase da adolescência, com os hormônios em ebulição: "Nunca vou poder ter uma relação sem CAMISINHA, a não ser que descubram a cura".

Por medo de ser rejeitada, a designer de sobrancelhas Márcia (nome fictício), de 44, é ainda mais radical. Ela não revelou o diagnóstico para a mãe, nem para o único filho, nem para as amigas íntimas e muito menos para as clientes. Só uma amiga de infância sabe, pois está encarregada de cuidar do seguro de vida, deixado para pagar a faculdade do filho quando ela morrer. Márcia só se lembra que tem AIDS quando troca de parceiro, pois se sente na obrigação de avisar que é SOROPOSITIVA.

Outra preocupação dos portadores são os efeitos colaterais dos remédios da linha mais antiga, como a lipodistrofia, que acomete em maior ou menor grau a todos. Em alguns, leva ao acúmulo de gordura no alto do pescoço, que precisa ser retirada com lipoaspiração. Em outros, a gordura das pernas, dos braços e do rosto migra para outros lugares do corpo. No Grupo Vhiver, uma das maiores organizações não governamentais de apoio aos portadores de AIDS do país, com 11 mil atendimentos mensais, foi montada uma academia completa de musculação, que ajuda a prevenir a lipodistrofia e a resgatar a autoestima dos soropositivos. Se algum desavisado passar pela casa azul da Rua Bernardo Guimarães, 512, pode pensar que entrou por engano em uma academia comum, onde jovens saradões exercitam os músculos. É difícil acreditar que todos têm HIV, inclusive a maioria dos professores contratados.

No início, a AIDS provocava emagrecimento instantâneo do portador, que descobria a doença em fase mais avançada e enfrentava as reações às poucas variedades de remédios disponíveis, que causavam diarreias terríveis. Maria do Carmo, de 54 anos, cabeleireira do Morro do Papagaio, enfrentou uma deformidade do rosto que a deixou, segundo ela própria define, com aspecto de caveira. Por quatro anos ela teve vergonha de sair de casa. O efeito colateral do remédio foi corrigido com preenchimento da face por meio de injeções, espécie de botox autorizado pelo SUS. Quando descobriu o HIV, contaminada pelo ex-marido, Maria do Carmo já estava em processo adiantado de infecção. Com 1,70m de altura, chegou a pesar 38 quilos e foi obrigada a engolir 36 comprimidos por dia para combater o vírus e todas as doenças oportunistas que se instalaram no organismo. Naquela época, na década de 1990, a adesão dos pacientes ao tratamento era baixa, porque o coquetel era formado por exagerada quantidade de cápsulas por dia, algumas delas desproporcionais, amargas e que exigiam horas de jejum e disciplina rígida de horário, segundo relatos dos pacientes mais antigos.


Fonte: Estado de MG
Enviado pelo jovem: João Geraldo Netto

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Desabastecimento do Fosamprenavir continua no Rio de Janeiro, denuncia paciente

Comprimido de Fosamprenavir
Alister Rafael tem 27 anos e mora na cidade do Rio de Janeiro. Ele está procurando a imprensa, o movimento social ou alguém que o ajude a tornar público seu problema. Pela segunda vez, em menos de uma semana, ele esteve no Instituto de Pesquisas Evandro Chagas (IPEC) - ligado à Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) - e saiu sem o kit completo de comprimidos que usa para o tratamento da Aids.

Há cerca de um ano tomando o antirretroviral Fosamprenavir, Alister teme agora uma baixa na sua adesão ao tratamento devido à escassez deste medicamento no Estado. "Na terça-feira passada fui pegar meus remédios e me deram um montante suficiente para apenas cinco dias. Me disseram que da próxima vez a situação já estaria regularizada, mas hoje voltei lá para pegar os medicamentos e a situação continua igual", conta.

O jovem foi informado pelo pessoal da logística de medicamentos do IPEC que não havia previsão de regularização. Não contente com a resposta foi à Secretaria Estadual de Saúde e recebeu a notícia de que os lotes do Fosamprenavir estavam parados na alfândega.

"O governo está brincando com a vida humana. Ganha trilhões com impostos e deixa faltar medicamentos. Nós pagamos impostos e temos esse direito do acesso universal", criticou. "É inconcebível que o Brasil doe medicamentos para outros países, mas deixe faltar medicamentos aqui", acrescentou.

Até o momento, Alister não ficou sem o medicamento, mas queixa-se de ter que ir constantemente ao IPEC para pegar apenas alguns comprimidos.

Quando não há desabastecimento, os pacientes podem retirar montantes suficientes para mais de um mês. Isso é o que chamam de entrega fracionada de medicamentos.

O problema com a distribuição do Fosamprenavir foi denunciado por ativistas no dia 17 deste mês. Em nota, o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde informou que mil frascos do antirretroviral tinham sido enviados aos Estados, e que uma outra remessa de nove mil frascos seriam enviadas na sequência para regularizar a situação. "O Ministério da Saúde empenhou-se em agilizar as entregas e, assim, a partir de 15 de julho, não haverá mais a necessidade de fracionamento do antirretroviral", informava a nota.

No entanto, segundo a Assessoria de Imprensa do Departamento de Aids, esses nove mil frascos ficaram presos na alfândega por conta de uma exigência de documentos feita pela Receita Federal à fabricante GlaxoSmithKline. Espera-se que o medicamento seja liberado e chegue a Brasília nesta quinta-feira e até a próxima segunda-feira aos Estados.

DICA DE ENTREVISTA:
Alister Rafael (Rede Estadual de Adolescentes e Jovens Vivendo e Convivendo com HIV/Aids - RJ)
Tel.: (21) 8765-1033
E-mail: alister.r@bol.com.br

Fonte: Agência de Notícias da Aids
Enviado pelo jovem: João Geraldo Netto

Soropositivos da África forram estômago com esterco para poder tomar antirretrovirais

Centenas foram às ruas da empobrecida
Suazilândia para protestar contra a crise econômica
Alguns pacientes soropositivos na Suazilândia são tão pobres que vêm comendo esterco de vaca antes de ingerir medicamentos antirretrovirais, afirmam ativistas.

Os remédios não funcionam em estômagos vazios, portanto, os pacientes ingerem esterco misturado com água, diante da falta de alimentos.

"Algumas pessoas dizem que vão parar de tomar antirretrovirais porque é necessário que elas tenham comida em seus estômagos", disse à BBC Sipho Dlamini.

O país de 1.2 milhões de habitantes tem uma das maiores proporções de infectados pelo vírus da aids, com 230 mil soropositivos.

Crise
Dlamini foi um dos organizadores do protesto que reuniu centenas de pessoas na capital do país, Mbabane, nesta quarta-feira, contra a crise econômica que o país atravessa.

Ele disse que os manifestantes pediram para que o governo não corte o orçamento da saúde, e sim "mantenha sua promessa de priorizá-la".

Por causa da crise, no mês passado o parlamentar Joseph Madonsela disse que os hospitais estatais podem deixar de fornecer remédios antirretrovirais dentro de dois meses. O governo rejeita a afirmação, mas admitiu que pediu ajuda financeira à África do Sul e implementou medidas de austeridade.

No mês passado, o Fundo Monetário Internacional (FMI) disse que a Suazilândia enfrentaria uma "grave crise de liquidez".

A falta de dinheiro forçou no mês passado o rei Mswati a anunciar o cancelamento das comemorações do aniversário de 25 anos de seu reinado.

O último monarca absoluto da África subsaariana tem uma fortuna estimada de US$ 200 milhões, e cada uma de suas 13 esposas tem um palácio, todos pagos com dinheiro público.

Para quem não sabe onde fica a Suazilândia:



Exibir mapa ampliado



Fonte: BBC Brasil
Enviado pelo jovem: João Geraldo Netto